Brasil
14/07/2008 - 16h58

Carvalho admite conversa com Greenhalgh, mas nega vazamento de informações

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Acusado de vazar informações sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, o chefe de gabinete do presidente da República, Gilberto Carvalho, divulgou nesta segunda-feira uma nota oficial em que admite conversas com o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), mas nega ter pedido informações à PF e ao Ministério da Justiça sobre as investigações.

"Não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades", disse na nota.

Porém, o chefe de gabinete confirma que Greenhalgh lhe pediu que obtivesse "mais informações" por meio da PF de dados sobre o inquérito da Satiagraha.

Na nota, Carvalho disse apenas que respondeu a uma das questões levantadas por Greenhalgh, em um telefonema do dia 28 de maio. Segundo ele, o ex-deputado pediu informações sobre a suposta investigação envolvendo Humberto Braz --que trabalha para o banqueiro Daniel Dantas e se entregou ontem à PF em São Paulo acusado de tentar subornar policiais.

Chamando Greenhalgh de "dr.", Carvalho não menciona o fato de ele ter sido ex-deputado nem integrante do PT, mas se refere a ele como o advogado e seu cliente --no caso, Braz.

De acordo com a nota, Carvalho disse que não conhecia Braz, mas que informou a Greenhalgh que o Gabinete de Segurança Institucional (órgão ligado à Presidência da República) não investigava o assessor do banqueiro Daniel Dantas.

"Fui informado de que o referido tenente [que teria seguido Braz] estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao Dr. Greenhalgh, que, na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal", afirmou Carvalho, referindo-se ao policial militar que foi acusado de seguir Braz, inclusive, apresentando documentos informando ser da Presidência da República.

Leia a íntegra da nota de Carvalho:

"Esclarecimentos do Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Gilberto Carvalho, sobre o contexto das conversas que teve com o advogado ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, mencionadas no noticiário relacionado à Operação Satiagraha da Polícia Federal

No dia 28 de maio, o Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela Polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como Tenente da Polícia Militar de Minas Gerais exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa. Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido Tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao Dr. Greenhalgh, que, na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao Advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas Autoridades.

Gilberto Carvalho
Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República."

Comentários dos leitores
J. Pimentel (68) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (68) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 1 opinião
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Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Sr Pacificador, o sr Luiz Inácio não arrisca fala essas mentiras para pessoas como nós e sim para os seus bolsistas que trocam o voto por esmolas, portanto, não se espante quando o vosso presidente sair por ai parafraseando bizarrices!! 2 opiniões
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Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Excelentissimo Ministro Joaquim, Nós Brasileiros Agreditamos na sua Transparência, e Competência , estamos ao seu lado.
Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
sem opinião
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