Líderes partidários não chegam a acordo para avançar em votações na Câmara
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Na última semana de trabalhos do Congresso antes do recesso parlamentar do meio do ano, líderes partidários na Câmara não conseguiram chegar a um acordo nesta terça-feira para avançar nas votações na Casa Legislativa até as eleições municipais de outubro.
Com a pauta da Casa trancada por três medidas provisórias e dois projetos com urgência constitucional vencida, os deputados devem ficar com a pauta de votações trancada até outubro --sem votar matérias como a reforma tributária, as mudanças na tramitação das medidas provisórias e a conclusão da votação da CSS (Contribuição Social para a Saúde).
O impasse está na votação da medida provisória 432/08, que renegocia R$ 75 bilhões do saldo devedor dos agropecuaristas brasileiros. Sem acordo com a bancada ruralista sobre o tema, os deputados vão entrar em recesso, mas vão deixar a votação da medida provisória pendente.
Como a MP tranca a pauta de votações, os deputados voltam ao trabalho em agosto com a tarefa de analisar a matéria.
O Congresso vai trabalhar numa espécie de "recesso branco" no segundo semestre em conseqüência das eleições municipais de outubro, com esparsas votações nos plenários da Câmara e Senado. Em agosto, os deputados e senadores devem realizar votações no plenário somente em três semanas --o que permite que avancem apenas na MP pendente e nos outros projetos com urgência constitucional vencida.
Em agosto, outras três medidas provisórias também chegam à Câmara trancando a pauta de votações (o que impede a análise de outras matérias). Na prática, até outubro, a Câmara vai trabalhar somente para destrancar a sua pauta de votações sem conseguir avançar nos temas considerados "prioritários" pelos parlamentares.
"Se o governo parar de enviar medidas provisórias para cá, poderemos avançar em novas pautas", disse o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP).
O líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE), minimizou a paralisia dos trabalhos provocada pelo excesso de medidas provisórias enviadas pelo Executivo. "A nossa bancada está tendo tolerância para vencer as medidas provisórias que trancam a pauta e avançar para outros temas positivos. Queremos votar", afirmou.
O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos representantes da bancada ruralista, disse que os parlamentares estão dispostos a postergar ao máximo a votação da MP 432 se o governo não flexibilizar o texto. "Não é questão de esticar a votação. Não vamos compactuar com algo travestido de benesse ao setor. Essa MP é um engodo, não soluciona o endividamento do setor. Não suportamos mais factóides do governo."
Se os ruralistas não permitirem a votação da MP até outubro, a pauta de votações da Câmara permanecerá trancada durante esse período, sem avanços em outras matérias.
Esta semana, os deputados vão votar as outras duas MPs que trancam a pauta de votações da Casa. Uma delas reajusta os salários de cerca de 800 mil servidores civis e 600 mil militares da administração federal, enquanto a outra concede alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins para a importação e comercialização de farinha de trigo, trigo e pão comum.
Recesso
Apesar da falta de acordo para as votações na Câmara, os deputados concordaram colocar em votação a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2009 no plenário do Congresso nesta terça-feira. Somente com a votação da LDO os deputados e senadores podem entrar em recesso parlamentar a partir de sexta-feira, como determina a Constituição Federal.
Líderes governistas estão dispostos a acatar o pedido da bancada do Rio de Janeiro que, na semana passada, impediu a votação da LDO. Os deputados fluminenses condicionaram a aprovação da lei à votação de um crédito extraordinário que libera R$ 85 milhões para a candidatura do Rio de Janeiro à sede das Olimpíadas de 2016.
"Estamos negociando, existe essa pendência da bancada do Rio, mas as coisas estão encaminhadas", disse Rands.
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