Brasil
15/07/2008 - 18h16

Suposto braço direito de Dantas se cala em depoimento à PF

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DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online

Humberto Braz, suposto braço direito do banqueiro Daniel Dantas, permaneceu calado durante o depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, seguindo orientação de seu advogado, Renato de Morais.

Segundo a defesa, utilizando uma prerrogativa garantida pela Constituição Federal, o cliente foi aconselhado a não fazer qualquer declaração porque não houve tempo hábil para os advogados analisarem os autos do processo, de mais de 6.000 páginas.

Humberto Braz é acusado de tentativa de suborno a um delegado federal para excluir o nome de Dantas e de integrantes da família dele das investigações da PF.

Foragido desde a deflagração da operação, no dia 8 de julho, Braz se entregou à polícia domingo (13) e foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Nesta terça-feira, porém, ele foi transferido para uma prisão da cidade de Tremembé, no interior de São Paulo, segundo o advogado de defesa.

A mudança teria ocorrido porque a unidade de Guarulhos não possui cela adequada para prisioneiros que tenham diploma universitário, que de acordo a lei tem o direito de ficar em cela individual.

Além de Humberto Braz, apenas mais um dos que tiveram a prisão pedida pela Polícia Federal está preso: Hugo Chicaroni. Todos os outros foram beneficiados com habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal), entre eles o ex-prefeito Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e Dantas.

Braz e Chicaroni foram flagrados pela PF na suposta tentativa de suborno. O episódio foi utilizado pela Polícia Federal para requerer à Justiça outro pedido de detenção de Dantas, logo após ele ter sido solto mediante um habeas corpus do STF. Uma nova decisão do Supremo colocou o banqueiro em liberdade.

De acordo com as escutas divulgadas pela PF, a proposta de suborno, a princípio em R$ 500 mil, dobrou para R$ 1,280 milhão e seria paga em parcelas. Parte da propina teria sido entregue ao delegado na garagem de Chicaroni.

A Operação Satiagraha investiga suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República em São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda teriam descoberto que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios, inclusive, do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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