Tarso diz que saída de delegado e férias de diretor da PF são "coincidência"
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse nesta terça-feira que é uma "coincidência" o afastamento do delegado Protógenes Queiroz das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, e o fato de o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, tirar férias neste mesmo período. Segundo o ministro, Protógenes participará de um curso de reciclagem enquanto Corrêa já havia marcado suas férias para este mês.
Tarso deu a entender ainda que Protógenes havia concluído seu trabalho na Operação Satiagraha e que o afastamento do delegado não causará prejuízos às investigações. "O inquérito está praticamente, 99,9%, terminado", afirmou o ministro, após reunião no Palácio do Planalto.
Na reunião, conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participaram, além de Tarso, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Nelson Jobim (Defesa).
O principal tema tema do encontro foram as críticas à atuação da PF no caso. Mas Tarso procurou desvincular o episódio à saída de Protógenes. "O delegado, quando completa dez anos, tem de fazer um curso de reciclagem, e é o que ele [Protógenes] vai fazer", disse Tarso.
O ministro tentou desvincular o pedido de férias de Correa do afastamento do delegado. "Trata-se de uma coincidência, as férias do Luiz Fernando estavam marcado há muito tempo, eu inclusive sugeri que ele não mudasse, porque não havia nenhuma emergência nem instabilidade ou problema para isso", afirmou Tarso.
A Operação Satiagraha investiga suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.
Investigações
Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República em São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda teriam descoberto que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios, inclusive, do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
Leia mais
- Delegado da PF deixa investigação sobre Daniel Dantas
- Senado pede ao Ministério da Justiça para ter acesso ao inquérito da Operação Satiagraha
- Suposto braço direito de Dantas se cala em depoimento à PF
- Delegados divulgam lista de apoio a juiz, procurador e PF por Operação Satiagraha
- CPI desiste de votar requerimentos para convocar Nahas, Gushiken e Greenhalgh
- PSOL faz abaixo-assinado contra a libertação de Daniel Dantas
- Tarso nega que vá discutir crise em encontro com Lula e Gilmar Mendes
Livraria da Folha
- Frederico Vasconcelos ensina como investigar governos, empresas e tribunais
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livro mostra como se tornar advogado, escolher carreira e conseguir primeiro emprego
- Livro analisa a cobertura jornalística de fatos que marcaram o Brasil
Especial

avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar