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Brasil
15/07/2008 - 20h50

Tarso diz que saída de delegado e férias de diretor da PF são "coincidência"

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) disse nesta terça-feira que é uma "coincidência" o afastamento do delegado Protógenes Queiroz das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, e o fato de o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, tirar férias neste mesmo período. Segundo o ministro, Protógenes participará de um curso de reciclagem enquanto Corrêa já havia marcado suas férias para este mês.

Tarso deu a entender ainda que Protógenes havia concluído seu trabalho na Operação Satiagraha e que o afastamento do delegado não causará prejuízos às investigações. "O inquérito está praticamente, 99,9%, terminado", afirmou o ministro, após reunião no Palácio do Planalto.

Na reunião, conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participaram, além de Tarso, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Nelson Jobim (Defesa).

O principal tema tema do encontro foram as críticas à atuação da PF no caso. Mas Tarso procurou desvincular o episódio à saída de Protógenes. "O delegado, quando completa dez anos, tem de fazer um curso de reciclagem, e é o que ele [Protógenes] vai fazer", disse Tarso.

O ministro tentou desvincular o pedido de férias de Correa do afastamento do delegado. "Trata-se de uma coincidência, as férias do Luiz Fernando estavam marcado há muito tempo, eu inclusive sugeri que ele não mudasse, porque não havia nenhuma emergência nem instabilidade ou problema para isso", afirmou Tarso.

A Operação Satiagraha investiga suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República em São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda teriam descoberto que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios, inclusive, do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Comentários dos leitores
marcelo lima lima (3) 16/07/2008 19h20
marcelo lima lima (3) 16/07/2008 19h20
INFELIZMENTE ESSE PAIS ESTÁ BEIRA DE UM COLAPSO, A CORRUPÇÃO E ALARMANTE, NAO TEMO UMA POLICIA INDEPENDENTE , O MINISTRO DE JUSTIÇA DESTE PAIS E COMPARAVÉL AO MINISTRO DO CRIME, A INSTITUIÇÃO JUSTIÇA E UMA INSTITUIÇÃO FALIDA E CORROMPIDA , SR DANIEL DANTAS E NOVO PC FARIAS DO BRASIL , E OS BRASILEIROS AS VITIMAS DESTA INSTITUIÇÕES CORRUPTAS, SE TIVERMOS UM GOLPE DE ESTADO NESTE PAIS PODEMOS CREDIBILIZAR A TODOS ESSES SRS, MINISTRO JUSTIÇA TARSO GENRO, STF E SRS PRESIDENTE REPUBLICA. 11 opiniões
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Marcelo Peixoto (1) 16/07/2008 17h42
Marcelo Peixoto (1) 16/07/2008 17h42
A democracia ameaçada demanda uma reação imediata e enérgica da população. A cúpula do Governo está oficialmente favorecendo o crime organizado, tirando de circulação os servidores que se esforçam para aplicar a lei e livrar o país do domínio dos criminosos e corruptos. Essa atitude demonstra claramente que o Estado, nos seus três poderes, está capturado pelo crime organizado. O Brasil passa assim a ser um país onde não impera o Estado de Direito. Se nós (a parte da população consciente) aceitarmos passivamente, sem reagir, somos coniventes e igualmente responsáveis. Sugiro uma manifestação púbica conjunta da polícia federal, dos os procuradores dos juízes e de todos aqueles que se sentem ultrajados e ofendidos com a proteção do Estado ao crime organizado. 5 opiniões
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Sebastião Vicente Picinato (3) 16/07/2008 16h42
Sebastião Vicente Picinato (3) 16/07/2008 16h42
"Coincidências" desta natureza são lamentáveis. Passou-se da hora de estender aos Delegados de Polícia as garantias constitucionais que gozam as demais carreiras jurídicas, principalmente a inamovibilidade, sob pena de vermos repetir estas "coincidências". Aliás, pobres dos Delegados de Polícia, que estão lutando para serem reinseridos como carreiras jurídicas de Estado. Inamovilidade......, muita pretensão. 11 opiniões
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