Brasil
15/07/2008 - 21h50

Depoimento de Daniel Dantas na PF está mantido, diz advogado

Publicidade

colaboração para a Folha Online

O afastamento do delegado Protógenes Queiroz da Operação Satiagraha não deve interferir no andamento dos depoimentos dos acusados pela Polícia Federal de participar do esquema que envolve uma série de crimes financeiros.

Segundo o advogado do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, Nélio Machado, não houve qualquer comunicado da PF cancelando o depoimento dele, marcado para amanhã. "Provavelmente deve ter algum deles [delegados da PF] lá para ouvir o depoimento", disse.

No depoimento de sexta-feira (11), antes de conseguir o segundo habeas corpus que o livraria da prisão, Dantas não respondeu às perguntas do delegado, seguindo orientação de seu advogado.

O defensor de Dantas, que diversas vezes criticou os métodos utilizados na operação, não quis fazer qualquer comentário sobre a saída do delegado Protógenes da investigação.

Justificativa

O afastamento do delegado Protógenes Queiroz do inquérito da Operação Satiagraha foi anunciada nesta terça-feira. Oficialmente, Queiroz deixou o inquérito para realizar um curso obrigatório para todos os delegados que já têm pelo menos dez anos de serviço.

Segundo a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), o curso superior de polícia é obrigatório principalmente para quem vai mudar de categoria, passando de delegado de 1ª classe para delegado especial, a última entre as quatro graduações na função.

O curso, de acordo com a entidade, tem uma fase presencial, que começa a partir da próxima semana. A assessoria da ADPF informou que o presidente da associação, Sandro Torres Avelar, também vai participar das aulas.

Polêmica

A operação comandada por Queiroz foi criticada pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, pelo fato de a prisão dos investigados, surpreendidos em suas casas na madrugada do último dia 8, ter sido mostrada na TV.

O presidente do STF classificou a ação da PF de 'espetacularização' também pelo uso de algemas nos presos.

Por conta dos questionamentos de Mendes, o ministro Tarso Genro (Justiça) pediu a abertura de sindicância para apurar se houve abusos de agentes da instituição durante a operação. O ministro reconheceu abusos na operação.

Em entrevista publicada no domingo na Folha, o ministro Tarso Genro (Justiça) defendeu o trabalho de Queiroz. 'Protógenes fez um trabalho brilhante de natureza técnica, independentemente de ter cometido equívoco ou não', disse Tarso na entrevista.

Em outra reportagem da Folha, também publicada no domingo, informa que a cúpula da Polícia Federal gostaria de afastar o delegado. Segundo a reportagem, apesar dos possíveis excessos da operação, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, avalia que a investigação teve mais méritos que defeitos.

Deflagrada no último dia 8, a Operação Satiagraha resultou na prisão de Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e de mais 14 pessoas suspeitas de integrarem a quadrilha.

No domingo, o único investigado que estava foragido, Humberto Braz, assessor de Dantas, se entregou à polícia. Continuam presos apenas Braz e o consultor Hugo Chicaroni.

Comentários dos leitores
Antonio Fouto Dias (2713) 10/11/2009 18h53
Antonio Fouto Dias (2713) 10/11/2009 18h53
Tarso Genro defende aumento de salários a policiais do Rio como forma de combater a violência, ora, nem só no Rio, mas da forma que está, creio valer a pena a realização de um estudo de viabilidade de um novo quadro de cargos e salários para as forças públicas de todos os estados, principalmente naqueles em que ocorrem maior criminalidade e não só para o Rio.
O exercício da função de policial exige que se coloque a própria vida em risco, portanto deve ter uma remuneração compativel com suas atividades.
sem opinião
avalie fechar
joão nascimento (170) 10/11/2009 18h37
joão nascimento (170) 10/11/2009 18h37
e otica mesmo ele esta prejudicando o governo eo ministro esta vendo porque não afasta-lo sem opinião
avalie fechar
Abel Clementino de Amorim (6) 10/11/2009 16h31
Abel Clementino de Amorim (6) 10/11/2009 16h31
é a inversão de valores o mocinho é afastado e o bandido está de boa as solta, só nesse país que acontece essas coisas, é o fim quem de fato deveria estar preso não está, prova que nesse país que quem tem dinheiro não é punido. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4913)
Termos e condições
Comentários dos leitores
marcelo lima lima (3) 16/07/2008 19h20
marcelo lima lima (3) 16/07/2008 19h20
INFELIZMENTE ESSE PAIS ESTÁ BEIRA DE UM COLAPSO, A CORRUPÇÃO E ALARMANTE, NAO TEMO UMA POLICIA INDEPENDENTE , O MINISTRO DE JUSTIÇA DESTE PAIS E COMPARAVÉL AO MINISTRO DO CRIME, A INSTITUIÇÃO JUSTIÇA E UMA INSTITUIÇÃO FALIDA E CORROMPIDA , SR DANIEL DANTAS E NOVO PC FARIAS DO BRASIL , E OS BRASILEIROS AS VITIMAS DESTA INSTITUIÇÕES CORRUPTAS, SE TIVERMOS UM GOLPE DE ESTADO NESTE PAIS PODEMOS CREDIBILIZAR A TODOS ESSES SRS, MINISTRO JUSTIÇA TARSO GENRO, STF E SRS PRESIDENTE REPUBLICA. 11 opiniões
avalie fechar
Marcelo Peixoto (1) 16/07/2008 17h42
Marcelo Peixoto (1) 16/07/2008 17h42
A democracia ameaçada demanda uma reação imediata e enérgica da população. A cúpula do Governo está oficialmente favorecendo o crime organizado, tirando de circulação os servidores que se esforçam para aplicar a lei e livrar o país do domínio dos criminosos e corruptos. Essa atitude demonstra claramente que o Estado, nos seus três poderes, está capturado pelo crime organizado. O Brasil passa assim a ser um país onde não impera o Estado de Direito. Se nós (a parte da população consciente) aceitarmos passivamente, sem reagir, somos coniventes e igualmente responsáveis. Sugiro uma manifestação púbica conjunta da polícia federal, dos os procuradores dos juízes e de todos aqueles que se sentem ultrajados e ofendidos com a proteção do Estado ao crime organizado. 5 opiniões
avalie fechar
Sebastião Vicente Picinato (3) 16/07/2008 16h42
Sebastião Vicente Picinato (3) 16/07/2008 16h42
"Coincidências" desta natureza são lamentáveis. Passou-se da hora de estender aos Delegados de Polícia as garantias constitucionais que gozam as demais carreiras jurídicas, principalmente a inamovibilidade, sob pena de vermos repetir estas "coincidências". Aliás, pobres dos Delegados de Polícia, que estão lutando para serem reinseridos como carreiras jurídicas de Estado. Inamovilidade......, muita pretensão. 11 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (114)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca