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Brasil
15/07/2008 - 21h38

Tarso e Mendes negam divergências na condução da Operação Satiagraha

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Na tentativa de mostrar o fim da crise entre os Poderes Executivo e Judiciário, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Tarso Genro (Justiça) concederam uma entrevista coletiva em conjunto na noite desta terça-feira. Um ao lado do outro, Mendes e Tarso negaram divergências sobre a condução da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

"Não há estremecimento de relações", afirmou Tarso, tendo ao seu lado direito Mendes, no Palácio do Planalto. "Eu e o ministro Gilmar Mendes não nos consideramos oponentes nesse processo", disse Tarso. "Nós não tivemos antagonismos de princípios", disse o ministro da Justiça.

Por cerca de uma hora e meia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou uma reunião com Tarso, Gilmar Mendes e o ministro Nelson Jobim (Defesa) --ex-presidente da Suprema Corte e ex-ministro da Justiça. A crise em torno das decisões sobre a Operação Satiagraha levou Lula a convocar a reunião de emergência a pedido de Tarso.

Bombeiro

Interlocutores informaram que Jobim foi chamado por ter uma boa relação com Mendes e também ser respeitado por Tarso. A idéia era que ele se posicionasse como uma espécie de bombeiro para evitar a ampliação da crise, uma vez que os ministros da Justiça e do STF trocaram várias críticas públicas nos últimos dias.

"O ministro Gilmar Mendes cumpriu o papel dele e eu o meu", disse Tarso. "Acho que houve uma divulgação superlativa entre nós que não corresponde às conversas que tivemos", afirmou o ministro, dando a entender que a imprensa teria ampliado as divergências entre ele e Mendes.

Já o presidente do STF disse que "não havia sido bem compreendido" pela imprensa quando disse que o ministro da Justiça não tinha competência para criticá-lo. "Acho que não foi bem compreendido, quando eu disse que isso não era da atribuição do ministro, eu não disse que o ministro não era incompetente para se pronunciar sobre o tema, mas que não era da esfera dele. Mas eu havia ressalvado que não conhecia críticas [da parte de Tarso]", disse ele. "Nunca houve confrontos entre nós."

Preocupação

Ontem, por quase três horas, o presidente tratou da crise e da Operação Satiagraha com seis ministros e o vice-presidente da República José Alencar. Na reunião de coordenação política no Planalto, Tarso fez um detalhamento completo sobre a Operação Satiagraha.

Na reunião, Lula considerou que houve exageros durante a ação policial principalmente em torno da utilização de algemas. Anteriormente, o presidente do STF e várias autoridades também criticaram a utilização de algemas.

Mas para o presidente e os ministros presentes à reunião a atuação da Polícia Federal foi considerada correta e exitosa. A expectativa, segundo interlocutores de Lula, é que será elaborado um inquérito com consistência.

Durante a reunião, segundo alguns dos presentes, Lula disse que houve alguns erros na condução da ação, como o denominado privilégio concedido à Rede Globo, que obteve com exclusividade as primeiras imagens da Operação Satiagraha.

Comentários dos leitores
marcelo lima lima (3) 16/07/2008 19h20
marcelo lima lima (3) 16/07/2008 19h20
INFELIZMENTE ESSE PAIS ESTÁ BEIRA DE UM COLAPSO, A CORRUPÇÃO E ALARMANTE, NAO TEMO UMA POLICIA INDEPENDENTE , O MINISTRO DE JUSTIÇA DESTE PAIS E COMPARAVÉL AO MINISTRO DO CRIME, A INSTITUIÇÃO JUSTIÇA E UMA INSTITUIÇÃO FALIDA E CORROMPIDA , SR DANIEL DANTAS E NOVO PC FARIAS DO BRASIL , E OS BRASILEIROS AS VITIMAS DESTA INSTITUIÇÕES CORRUPTAS, SE TIVERMOS UM GOLPE DE ESTADO NESTE PAIS PODEMOS CREDIBILIZAR A TODOS ESSES SRS, MINISTRO JUSTIÇA TARSO GENRO, STF E SRS PRESIDENTE REPUBLICA. 11 opiniões
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Marcelo Peixoto (1) 16/07/2008 17h42
Marcelo Peixoto (1) 16/07/2008 17h42
A democracia ameaçada demanda uma reação imediata e enérgica da população. A cúpula do Governo está oficialmente favorecendo o crime organizado, tirando de circulação os servidores que se esforçam para aplicar a lei e livrar o país do domínio dos criminosos e corruptos. Essa atitude demonstra claramente que o Estado, nos seus três poderes, está capturado pelo crime organizado. O Brasil passa assim a ser um país onde não impera o Estado de Direito. Se nós (a parte da população consciente) aceitarmos passivamente, sem reagir, somos coniventes e igualmente responsáveis. Sugiro uma manifestação púbica conjunta da polícia federal, dos os procuradores dos juízes e de todos aqueles que se sentem ultrajados e ofendidos com a proteção do Estado ao crime organizado. 5 opiniões
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Sebastião Vicente Picinato (3) 16/07/2008 16h42
Sebastião Vicente Picinato (3) 16/07/2008 16h42
"Coincidências" desta natureza são lamentáveis. Passou-se da hora de estender aos Delegados de Polícia as garantias constitucionais que gozam as demais carreiras jurídicas, principalmente a inamovibilidade, sob pena de vermos repetir estas "coincidências". Aliás, pobres dos Delegados de Polícia, que estão lutando para serem reinseridos como carreiras jurídicas de Estado. Inamovilidade......, muita pretensão. 11 opiniões
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