Tarso e Mendes negam divergências na condução da Operação Satiagraha
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Na tentativa de mostrar o fim da crise entre os Poderes Executivo e Judiciário, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Tarso Genro (Justiça) concederam uma entrevista coletiva em conjunto na noite desta terça-feira. Um ao lado do outro, Mendes e Tarso negaram divergências sobre a condução da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
"Não há estremecimento de relações", afirmou Tarso, tendo ao seu lado direito Mendes, no Palácio do Planalto. "Eu e o ministro Gilmar Mendes não nos consideramos oponentes nesse processo", disse Tarso. "Nós não tivemos antagonismos de princípios", disse o ministro da Justiça.
Por cerca de uma hora e meia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou uma reunião com Tarso, Gilmar Mendes e o ministro Nelson Jobim (Defesa) --ex-presidente da Suprema Corte e ex-ministro da Justiça. A crise em torno das decisões sobre a Operação Satiagraha levou Lula a convocar a reunião de emergência a pedido de Tarso.
Bombeiro
Interlocutores informaram que Jobim foi chamado por ter uma boa relação com Mendes e também ser respeitado por Tarso. A idéia era que ele se posicionasse como uma espécie de bombeiro para evitar a ampliação da crise, uma vez que os ministros da Justiça e do STF trocaram várias críticas públicas nos últimos dias.
"O ministro Gilmar Mendes cumpriu o papel dele e eu o meu", disse Tarso. "Acho que houve uma divulgação superlativa entre nós que não corresponde às conversas que tivemos", afirmou o ministro, dando a entender que a imprensa teria ampliado as divergências entre ele e Mendes.
Já o presidente do STF disse que "não havia sido bem compreendido" pela imprensa quando disse que o ministro da Justiça não tinha competência para criticá-lo. "Acho que não foi bem compreendido, quando eu disse que isso não era da atribuição do ministro, eu não disse que o ministro não era incompetente para se pronunciar sobre o tema, mas que não era da esfera dele. Mas eu havia ressalvado que não conhecia críticas [da parte de Tarso]", disse ele. "Nunca houve confrontos entre nós."
Preocupação
Ontem, por quase três horas, o presidente tratou da crise e da Operação Satiagraha com seis ministros e o vice-presidente da República José Alencar. Na reunião de coordenação política no Planalto, Tarso fez um detalhamento completo sobre a Operação Satiagraha.
Na reunião, Lula considerou que houve exageros durante a ação policial principalmente em torno da utilização de algemas. Anteriormente, o presidente do STF e várias autoridades também criticaram a utilização de algemas.
Mas para o presidente e os ministros presentes à reunião a atuação da Polícia Federal foi considerada correta e exitosa. A expectativa, segundo interlocutores de Lula, é que será elaborado um inquérito com consistência.
Durante a reunião, segundo alguns dos presentes, Lula disse que houve alguns erros na condução da ação, como o denominado privilégio concedido à Rede Globo, que obteve com exclusividade as primeiras imagens da Operação Satiagraha.
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