Investigação da PF aproxima ainda mais o empresário Eike Batista ao governo do Amapá
PABLO SOLANO
da Agência Folha
Investigação da Polícia Federal aponta que o responsável por negociar o suposto direcionamento da licitação da Estrada de Ferro do Amapá para a empresa de Eike Batista também atuou como coordenador da arrecadação de recursos para a reeleição do governador Waldez Góes (PDT).
Eike, dono da MMX, foi a pessoa física que mais colaborou com o comitê financeiro de Waldez. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram R$ 200 mil para apoiar a reeleição do governador.
Apontado como representante dos interesses do governo estadual na concessão da ferrovia, o auditor-fiscal Braz Martial Josaphat tratou do assunto com o vice-presidente jurídico da EBX (empresa também de Eike), Flávio Godinho, de acordo com a PF, que gravou conversas entre os dois.
| 19.jan.2007/Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| Empresa do grupo de Eike Batista, 50, foi envolvida em investigações da Polícia Federal |
Deflagrada na sexta-feira (11), a Operação Toque de Midas realizou buscas e apreensões na casa de Eike Batista e em mais 11 locais no Amapá, Rio de Janeiro e Pará para investigar se autoridades do governo Góes foram beneficiadas para conceder a ferrovia para a MMX.
O envolvimento de Josaphat com a campanha de Waldez, de acordo com a PF, foi evidenciado durante a Operação Antídoto, do ano passado, quando foram investigadas irregularidades na compra de medicamentos pelo governo do Amapá.
Uma das empresas acusadas de beneficiamento no esquema investigado pela Antídoto também foi doadora da campanha de Waldez, destinando R$ 50 mil ao comitê financeiro.
Em diálogos monitorados, afirmou a PF, Josaphat se colocava como quem "levava a campanha [do governador] nas costas". O TSE aponta que Josaphat doou R$ 6.000 em 2002 para a campanha de Waldez.
A Polícia Federal disse que não existem indícios de que o financiamento de Eike ao governador foi tratado entre Josaphat e Godinho.
Outro lado
A assessoria de imprensa do governador nega que Josaphat tenha atuado na campanha para a reeleição e disse que ambos apenas "se conhecem". A Folha não localizou o auditor-fiscal.
A assessoria também disse que o processo licitatório da ferrovia foi transparente. Sobre a Antídoto, o governo afirmou que tomou as medidas para solucionar possíveis desvios no setor de medicamentos.
Celso Vilardi, advogado da MMX, afirma que Braz e Godinho tiveram contato apenas em período posterior à licitação, quando a concessão da ferrovia já estava realizada. Entretanto, disse que o segredo de Justiça do caso impede ele explique os motivos dos contatos entre ambos.
De acordo com Vilardi, a PF faz confusão quando coloca José Carlos Frederico como funcionário da MMX, quando na verdade ele trabalharia apenas na MPBA, empresa vendida por Eike em 2004.
Vilardi diz que esta "confusão" fez a PF imputar à MMX supostas irregularidades que estavam sendo negociadas entre o governo do Amapá e a MPBA. Ele considera a suposta confusão um "erro crasso nas investigações".
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