Thomaz Bastos nega que atuação da PF tenha gerado crise institucional no país
PABLO SOLANO
da Agência Folha
O ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos disse que a atuação da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha não abriu uma crise institucional no país. "Existem excessos, que podem ser coibidos, mas o regime republicano e democrático está funcionando plenamente, com freios e contrapesos e os Três Poderes atuando", afirmou.
Na opinião de Bastos, a polarização entre o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e juízes, promotores e procuradores que apóiam o juiz Fausto Martin De Sanctis deve ser "olhada com muita cautela".
"O Supremo no regime republicano é que diz a última palavra dentro das regras da Constituição e da lei", defendeu.
Bastos também rebateu as críticas à utilização de interceptações telefônicas. Para o ex-ministro, elas são um instrumento importante de investigação, mas que necessita ser utilizado com "cautela, parcimônia e autorização judicial".
Para ele, escuta não deve servir como prova de um crime, mas pode ser "usada dentro de um contexto probatório". O ex-ministro também defende a regulamentação do uso delas pela Polícia Federal.
O ex-ministro foi contratado pelo empresário Eike Batista para atuar nas investigações da Operação Toque de Midas. Eike disse nesta segunda-feira, em teleconferência para analistas de mercado, que entraria com uma notificação formal ao Ministério da Justiça questionando a operação, mas Bastos afirmou que ainda estuda a forma mais eficiente de defender o empresário.
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