Brasil
16/07/2008 - 08h43

STF negou 80% dos habeas corpus pedidos nos últimos 18 meses

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FELIPE SELIGMAN
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Os dois habeas corpus obtidos pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, no STF (Supremo Tribunal Federal), são estatisticamente uma exceção. Balanço do tribunal sobre os julgamentos ocorridos entre janeiro de 2007 e junho deste ano diz que, "na maioria" dos habeas corpus julgados no período, "relatores, turmas e plenário negaram os pedidos".

O levantamento mostra que houve 4.089 habeas corpus julgados no mérito e outros 1.996 com decisão liminar. No primeiro caso, apenas 9,2% (385) foram concedidos pelo STF, enquanto o restante (90,8%) foi negado ou voltou a instâncias inferiores. Cerca de 80% das liminares foram negadas.

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, afirmou anteontem que o Supremo tem concedido um grande número de habeas corpus. Disse que em alguns dias o número chega a ser de 50% nas sessões de turma. E levou em conta que aqueles que foram concedidos no STF haviam sido negados em outras instâncias. Mendes também citou casos de habeas corpus que chegam escritos à mão, "até em papel de pão".

O Supremo recebe, quase diariamente, cartas de presos que podem ou não ser transformadas em habeas corpus. Segundo a Central do Cidadão do Supremo (antiga ouvidoria), 104 presidiários enviaram correspondência ao STF em junho. E, de abril para cá, 87 delas viraram habeas corpus. A Folha apurou que a maioria dos pedidos é negada ou nem sequer chega a ser analisada.

Uma carta, por exemplo, que chegou em abril ao STF da penitenciária de Presidente Bernardes (SP), mas foi reenviada para a 1ª instância de São Paulo, pedia a progressão de pena para o regime semi-aberto.

Jurisprudência

Dos poucos pedidos concedidos, o mais famoso é o caso do pastor evangélico Oséas de Campos, condenado pelo crime de atentado violento ao pudor contra crianças em Campos de Jordão (167 km de SP). Seu pedido mudou, há cerca de dois anos, a jurisprudência do STF sobre a progressão de pena em caso de crime hediondo --algo que, dez anos antes, Marcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça e advogado criminalista renomado, havia tentado sem obter êxito.

Campos enviou um pedido escrito à mão no qual ele apresentava uma ampla contestação à jurisprudência do Supremo, que proibia, até então, a transformação de regime integralmente fechado para regime semi-aberto --ou até mesmo para liberdade condicional-- em caso de pessoas condenadas por crimes hediondos. O pastor convenceu os ministros da Corte e conseguiu a progressão da pena.

Levantamento feito pela Folha no site do STF encontrou 17 habeas corpus que, inicialmente, eram correspondências enviadas de dentro de presídios. Nenhum pedido, porém, havia sido concedido até ontem. A grande maioria voltou para as instâncias inferiores, cinco ainda esperam o julgamento da liminar e outros dois já tiveram a liminar negada e esperam o julgamento de mérito.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (369) 25/06/2009 15h46
Igor Bevilaqua (369) 25/06/2009 15h46
Em se tratando de "JUSTIÇA" no (B)brasil..., tudo é possível..., até "autoridades" de duvidosa conduta..., julgar e condenar quem cumpre a risca e com honestidade seu dever.
Ps: No (B)brasil você trabalhar ou cumprir missões com "HONESTIDADE" é perigoso..., você vai ser acusado e indiciado, vai perder o emprego no estado e se possível vai ser condenado, lembrem-se que este é o país dos bandidos.
9 opiniões
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Rui Ruz Caputi Caputi (1364) 25/06/2009 14h02
Rui Ruz Caputi Caputi (1364) 25/06/2009 14h02
Não existirá juíz nesse imenso Brasil que possa condenar o Protógenes se o seu senso de justiça e cidadania estiver em harmonia com o povo brasileiro. 4 opiniões
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Tito Oliv (129) 25/06/2009 13h39
Tito Oliv (129) 25/06/2009 13h39
Sob suspeita está o juiz Mazloun e com condenação quase certa. O caso, já um pouco antigo, está em julgamento. Já são 4 votos por remoção e um por repreensão. Punição haverá. Motivo: favorecimento de reu. Parece, talvez até pela demora do julgamento - 4 anos, que Mazloun se sentia intocável. Permitir a Daniel Dantas participar da acusação é o mesmo que privatizar a Justiça. Atenta contra uma das mais características do Estado e do "estado de Direito", este último invocado pelo próprio Mazlon, dias atrás, quando alegou que o processo e a condenação eram "perseguição política". Bem apropriado. Se Protógenes errou deve ser punido, mas não linchado moralmente como está sendo. Nem mesmos os PM acusados de matar uma mulher no Rio de Janeiro estão tendo o mesmo tratamento. O pedido de Dantas é por vingança. Acostumado a viver à sombra do poder, hábito que começou com Collor e teve seu auge com FHC, lesou o que pode dos fundos de pensão - poupança feita com dinheiro de trabalhadores assalariados e do Tesouro -, vivendo hoje à "tripa forra" em um país de pobres. O que levou na intermediação da privatização das telefônicas é mais do que o Senado desperdiça por ano. Algo em torno de R$3000.000.000,00. Por baixo. Este dinheiro recuperaria toda a malha viária federal. 5 opiniões
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