Atrasado, Daniel Dantas chega para depor à Polícia Federal em SP
da Folha Online
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, chegou por volta das 15h desta quarta-feira, com uma hora de atraso, na Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, onde vai prestar depoimento. Ele é investigado na Operação Satiagraha, da PF, por suposta tentativa de suborno e prática de crimes financeiros.
O delegado Protógenes Queiroz, responsável pela operação, deixou ontem as investigações, mas é ele que toma o depoimento de Dantas.
Dantas foi preso duas vezes na semana passada, mas foi solto beneficiado por decisões do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes. A primeira prisão foi decretada pelo juiz federal Fausto Martins de Sanctis, 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, na última terça-feira (8), quando foi deflagrada a operação. A defesa do banqueiro recorreu ao STF e, no dia seguinte, Gilmar Mendes concedeu o primeiro habeas corpus.
Cerca de dez horas depois que Dantas deixou a carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, o mesmo juiz federal decretou novamente a prisão de Dantas, desta vez preventiva, com base em documentos apresentados pela PF e pela Procuradoria. Um depoimento também reforçou o pedido de prisão por tentativa de suborno.
Segundo a Procuradoria, Hugo Chicaroni, também preso na operação, confessou em depoimento os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal para que o nome de Dantas e de integrantes da sua família fosse retirado de um inquérito da PF sobre supostas operações ilícitas. A defesa de Chicaroni nega.
Dantas voltou à prisão e a defesa do banqueiro recorreu novamente ao STF. Apesar das novas provas, Gilmar Mendes concedeu novo habeas corpus na sexta-feira à tarde. O banqueiro foi solto e teria voltado ao Rio de Janeiro, onde mora.
A decisão de Gilmar Mendes provocou vários protestos de juízes federais, delegados federais e procuradores da República, que questionaram o posicionamento do presidente do Supremo.
No sábado, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que a soltura de Dantas cria a possibilidade de ele deixar o país, fugindo assim de uma de nova prisão. "A possibilidade [de fuga] realmente existe", disse.
Além de Dantas, foram presos durante a operação o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais 15 pessoas. Neste momento, no entanto, apenas Chicaroni e Humberto Braz, assessor de Dantas, continuam presos.
Delegados
Ontem, o delegado Protógenes Queiroz e mais dois delegados que atuam na Operação Satiagraha deixaram a investigação após uma tensa reunião na Superintendência de SP com delegados enviados pela cúpula da direção geral da PF.
Segundo reportagem da Folha, os delegados --Queiroz, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro-- sentiam-se boicotados pela PF. Queiroz teria sido "convidado" pela direção geral da PF a se afastar das investigações por causa de supostos excessos cometidos durante a operação.
No entanto, de acordo com a PF, os delegados deixaram as investigações por motivos pessoais --Queiroz, por exemplo, deixou o inquérito para realizar um curso obrigatório.
No mesmo dia em que foi definida a saída de Queiroz, na segunda-feira, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, entrou em férias.
Investigações
Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda teriam descoberto que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios, inclusive, do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
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