Tarso nega que delegado tenha sido forçado a deixar investigações da Satiagraha
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) negou nesta quarta-feira que o delegado Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, tenha sido forçado a deixar as investigações depois de receber críticas pela atuação de agentes da PF na prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Tarso disse que o delegado saiu por sua própria iniciativa e disse ser favorável à sua permanência no comando das investigações.
"O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis. Manifestou em diálogo com superiores a sua vontade de sair. A saída do delegado é uma iniciativa dele. Não há nenhum tipo de iniciativa dos diretores da Polícia Federal, dos seus superiores, que determinassem a saída dele. Até esta saída dele, na minha opinião, não é conveniente", afirmou.
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| Delegado Protógenes Queiroz (no meio) toma depoimento de Dantas (à esq.); juiz Fausto de Sanctis aceita denúncia contra banqueiro |
Segundo Tarso, Queiroz poderia concluir o relatório da Operação Satiagraha antes de deixar as investigações do caso, mesmo depois de ter cometido "aqui ou ali um eventual erro". "Ele poderia continuar e fazer o relatório, mas [a saída] foi um ato de vontade dele. Por nós, pela direção-geral, ele continuaria fazendo o trabalho", afirmou Tarso.
O ministro negou que a saída de Queiroz tenha sido negociada em uma reunião com a presença de outros delegados que participaram da Operação Satiagraha. Tarso disse que, na reunião, o delegado fez um resumo de seu trabalho e elogiou a conduta de seus superiores na operação.
"Houve uma reunião sólida, séria, onde foi apreçado o trabalho dele e onde ele registrou uma série de manifestações a respeito de seus superiores, totalmente positivas, ao contrário do que tem sido divulgado de boa fé por determinados setores da imprensa que se servem de fontes que são da sua confiança. Nesta reunião, ele manifestou sua posição a respeito do apoio que teve dos seus superiores e mostrou o desejo de sair", disse o ministro.
Tarso disse que eventuais erros cometidos por Queiroz na condução do inquérito, como a filmagem de Pitta sendo algemado por agente da PF em sua residência, serão avaliados pelos superiores do delegado. O ministro disse não acreditar que o delegado tenha deixado o caso por se sentir "constrangido" para permanecer na função.
"É difícil para uma pessoa madura, com autonomia legal para fazer o inquérito, se sentir constrangido. Seria uma contradição inaceitável uma pessoa que, com capacidade, fez um inquérito dessa natureza, ele se sinta constrangido", disse.
Reportagem da Folha afirma que Queiroz foi "convidado" pela direção geral da PF a se afastar das investigações por causa de supostos excessos cometidos durante a Operação Satiagraha. Oficialmente, o delegado disse que decidiu deixar as investigações porque vai começar um curso superior presencial da Polícia Federal que tem início dia 21.
Investigações
O ministro afirmou que a saída de Queiroz não vai prejudicar a conclusão das investigações da Operação Satiagraha. "As investigações vão continuar. Depois de encerrado o inquérito, a equipe [da Polícia Federal] junto com o Ministério Público faz um pente fino para verificar se apareceram dados de inteligência, de informação, com provas ou indícios não relacionados com o objetivo daquele inquérito, que vão dar base para a abertura de novos inquéritos se for necessário."
Tarso disse que existem pessoas "capacitadas" na PF para dar continuidade ao trabalho de Queiroz após sua decisão de se afastar das investigações. "Para a investigação não há prejuízos porque temos pessoas da mesma capacidade, da mesma competência, da mesma responsabilidade desse delegado."
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