Lula diz que divergências não podem impedir parlamentares de votarem
RENATA GIRALDI
da Folha Online, de Brasília
Às vésperas do recesso legislativo na Câmara e no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o apoio que recebe do Congresso. Segundo Lula, as divergências e os discursos contra ele podem "até" continuar desde que ocorram votações. Ele aproveitou ainda para rebater as críticas sobre os excessos de investimentos do governo federal em programas sociais, como o Bolsa-Família.
"Continuem [senadores e deputados] brigando com o governo. Podem até continuar fazendo discurso contra o presidente, mas na hora de votar as coisas boas, votem, porque quem ganha é o Brasil, é o povo brasileiro", disse Lula, na cerimônia de sanção do projeto do piso nacional do magistério destinado aos professores da educação básica, no valor de R$ 950.
O comentário de Lula ocorre às vésperas de a Câmara entrar em recesso legislativo -- começa na sexta-feira (18), sem ter concluído a votação da CSS (Contribuição Social para a Saúde) -- tema considerado fundamental pelo governo para garantir os investimentos no setor.
Além de ministros, participaram da solenidade, no Palácio do Planalto, os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), parlamentares, representantes dos professores e dos prefeitos.
Em tom de brincadeira, o presidente elogiou a atuação dos deputados e senadores presentes à cerimônia. "Tem briga e divergência [no Congresso]. Mas só tenho a agradecer à Câmara e ao Senado. O fundamental é que a Câmara e o Senado sempre colaboraram para que acontecesse o melhor possível", disse Lula.
No entanto, na Câmara, por exemplo, foi necessário que Chinaglia se esforçasse para obter um acordo com os líderes partidários para assegurar as votações em plenário, uma vez que a oposição fazia obstrução.
Queixas
O presidente reclamou dos que criticam os investimentos na área social. Segundo ele, a palavra "gasto" não deve ser aplicada aos setores sociais. "Não tem nenhum problema a gente gastar dinheiro com escola porque ela não vai ficar vazia. É proibida a palavra 'gasto' em educação. Em outras coisas a gente pode até dizer isso, mas não em educação e saúde. É investimento", disse ele.
Para Lula, as críticas sobre os programas sociais partem de quem não conhece a realidade brasileira nem tem sensibilidade. "Para uma parte dessas pessoas [que criticam os investimentos nos programas sociais], pobre é apenas uma estatística porque não percebem que [pobre] tem cabeça, coração e que quer estudar", disse o presidente.
Segundo o presidente, o principal investimento que deve ser feito para a sociedade é garantir um Estado com qualidade de vida, o que não prevê apenas serviços de segurança. "O maior investimento que estamos fazendo é colocar o Estado com educação, segurança, saúde e cultura", disse ele.
"Achar que a polícia vai resolver o problema, não vai. O que vai resolver é o Estado lá dentro, oferecendo o que o povo precisa, a oportunidade, e o que todos nós desejamos, a chance", afirmou.
Leia mais
- Às vésperas do recesso, Câmara e Senado ainda não definiram votações do 2º semestre
- Congresso aprova LDO e abre caminho para o recesso parlamentar
- Líderes partidários não chegam a acordo para avançar em votações na Câmara
- Senadores antecipam férias de julho após "mutirão" de votações
- Após "mutirão" de votações, senadores antecipam férias de julho
Livraria da Folha
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Cientista traça perfil social e político da Câmara em livro
- Entenda os princípios do regime democrático; leia capítulo
Especial

