Daniel Dantas ficou calado durante depoimento à Polícia Federal, diz advogado
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, não respondeu a nenhuma das perguntas feitas hoje pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. O advogado de Dantas, Nélio Machado, disse que Dantas se utilizou do direito de permanecer calado no depoimento, que durou cerca de três horas.
"As perguntas sobre Humberto Braz foram consideradas prejudicadas. As outras indagações serão objeto de uma nova convocação, que será feita pelos delegados. Eu o orientei a não falar, o que não significa a admissão de nenhuma culpa", disse Machado.
De acordo com Machado, Dantas não foi indiciado pela PF. "Ele não foi indiciado. A autoridade policial disse que em novo depoimento em que outras pessoas serão ouvidas ele tomará a decisão de indiciar." Dantas é investigado na Operação Satiagraha por suposta tentativa de suborno e prática de crimes financeiros.
| Folha Imagem |
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| Delegado Protógenes Queiroz (no meio) toma depoimento de Dantas (à esq.); juiz Fausto de Sanctis aceita denúncia contra banqueiro |
O juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, aceitou denúncia contra Dantas, seu assessor Humberto Braz e o professor universitário Hugo Chicaroni por tentarem corromper um delegado da PF que investigava supostos crimes cometidos pelo banqueiro. Dantas, Braz e Chicaroni passam a ser réus agora.
Deflagrada no último dia 8, a Operação Satiagraha resultou na prisão de Dantas, de Chicaroni, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e de mais 14 pessoas suspeitas de integrarem a quadrilha. No domingo, Braz, o único investigado que estava foragido se entregou à polícia.
Dantas foi preso duas vezes na semana passada mas foi solto beneficiado por decisões do presidente do STF. A primeira prisão foi decretada pelo juiz federal Fausto Martins de Sanctis, 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, no dia que a operação foi deflagrada. A defesa do banqueiro recorreu ao STF e, no dia seguinte, Gilmar Mendes concedeu o primeiro habeas corpus.
Cerca de dez horas depois que Dantas deixou a carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, o mesmo juiz federal decretou novamente a prisão de Dantas por tentativa de suborno. Documentos e o depoimento de Chicaroni reforçaram o pedido.
Dantas voltou à prisão e a defesa do banqueiro recorreu novamente ao STF. Apesar das novas provas, Gilmar Mendes concedeu novo habeas corpus na sexta-feira (11).
Segundo a Procuradoria, Chicaroni confessou em depoimento os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal para que o nome de Dantas e de integrantes da sua família fosse retirado de um inquérito da PF sobre supostas operações ilícitas. A defesa de Chicaroni nega.
Como prova, além do depoimento, a PF flagrou Braz e Chicaroni na suposta tentativa de suborno a um delegado da PF.
Ontem, Gilmar Mendes negou liberdade a Chicaroni e Braz, os dois únicos investigados na Satiagraha que continuam presos.
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