Brasil
16/07/2008 - 21h53

Lula cobra explicações de Protógenes sobre saída do caso; PF escolhe novo delegado

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira que o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, seja mantido no comando das investigações. Protógenes anunciou ontem sua saída do caso. Segunda a PF, Queiroz deixou o caso para realizar um curso obrigatório para delegados.

Segundo o presidente, Protógenes tem obrigação como cidadão de "moralmente" retornar às antigas funções.

"Moralmente esse cidadão [Protógenes] tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações", afirmou Lula, após cerimônia no Palácio do Planalto. "Vender a idéia de que foi afastado é no mínimo de má fé. Não sei se ele falou ou não. Eu li isso hoje", afirmou ele.

A Folha Online apurou que o ministro Tarso Genro (Justiça) telefonou hoje para o vice-diretor da Polícia Federal, Romero Menezes, para apresentar formalmente o pedido de Lula --depois que o presidente defendeu publicamente que Queiroz permaneça nas investigações.

Na conversa, Menezes afirmou ao ministro que o delegado participaria da conclusão das investigações uma vez que o relatório final da Operação Satiagraha será entregue até o final desta semana. O vice-diretor da PF substitui o diretor-geral do órgão, Luiz Fernando Correa, que está em recesso.

Substituição

Apesar do apelo de Lula, a PF informou que Protógenes encerra seu relatório na sexta-feira e se afasta do caso.

Na tentativa de justificar o afastamento de Queiroz, a PF argumenta que o inquérito da Operação Satiagraha foi desmembrado em três partes no início das investigações. Protógenes teria ficado responsável somente pela primeira parte da operação, com foco nos crimes de gestão fraudulenta e corrupção. A segunda parte do inquérito, que investiga crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de influência e crimes contra o sistema financeiro --ligados ao investidor Naji Nahas-- não seriam da alçada do delegado.

Na terceira parte do inquérito, a PF vai ter como foco investigar os crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de influência e crimes contra o sistema financeiro cometidos supostamente pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

O delegado Ricardo Saadi, chefe da delegacia de combate aos crimes financeiros da Polícia Federal de São Paulo, vai assumir a segunda parte do inquérito, enquanto a delegada Érika Mialik Marena vai presidir a terceiro parte das investigações.

Afastamento

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, a PF nega a versão de que o Queiroz teria sido "forçado" a se afastar do comando das investigações depois de receber críticas sobre a condução de prisões na Operação Satiagraha --especialmente a do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, flagrado de pijamas e algemas no momento de sua prisão.

A PF sustenta que o delegado pediu, em maio, para ser matriculado no curso superior da instituição que terá início do dia 21. Por este motivo, o delegado teve que se afastar da operação. O delegado teria sugerido continuar nas investigações aos "sábados e domingos" para freqüentar o curso nos demais dias da semana, mas o pedido não foi acatado pelos diretores da PF.

"A direção-geral da PF lamenta a distorção dos fatos, que só leva a confundir a população, e aproveita para reafirmar o compromisso perante a sociedade brasileira de cumprir fielmente suas atribuições constitucionais", afirma a instituição na nota.

Comentários dos leitores
Antonio Fouto Dias (2713) 10/11/2009 18h53
Antonio Fouto Dias (2713) 10/11/2009 18h53
Tarso Genro defende aumento de salários a policiais do Rio como forma de combater a violência, ora, nem só no Rio, mas da forma que está, creio valer a pena a realização de um estudo de viabilidade de um novo quadro de cargos e salários para as forças públicas de todos os estados, principalmente naqueles em que ocorrem maior criminalidade e não só para o Rio.
O exercício da função de policial exige que se coloque a própria vida em risco, portanto deve ter uma remuneração compativel com suas atividades.
sem opinião
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joão nascimento (170) 10/11/2009 18h37
joão nascimento (170) 10/11/2009 18h37
e otica mesmo ele esta prejudicando o governo eo ministro esta vendo porque não afasta-lo sem opinião
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Abel Clementino de Amorim (6) 10/11/2009 16h31
Abel Clementino de Amorim (6) 10/11/2009 16h31
é a inversão de valores o mocinho é afastado e o bandido está de boa as solta, só nesse país que acontece essas coisas, é o fim quem de fato deveria estar preso não está, prova que nesse país que quem tem dinheiro não é punido. sem opinião
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