Brasil
17/07/2008 - 12h18

Entenda os quatro casos mais importantes atualmente no Brasil

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da Folha Online

Ao menos quatro grandes casos estão em andamento no país: os desdobramentos da Operação Satiagraha, conduzida pela Polícia Federal e que resultou na prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta; o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola; os desdobramentos do caso da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran do Rio Grande do Sul; e a investigação da PF que envolve o empresário Eike Batista.

Deflagrada no último dia 8, a Operação Satiagraha --contra suspeitos de corrupção e de promover lavagem de dinheiro-- resultou na prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, do investidor Naji Nahas, do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e de outras 15 pessoas.

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

16.jul.2008/Danilo Verpa/Folha Imagem
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, chega da sede da Polícia Federal para depor
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, chega da sede da Polícia Federal para depor

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da PF, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

O grupo é suspeito de ter empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Nesta quarta-feira, o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, aceitou denúncia contra Daniel Dantas, seu assessor Humberto Braz e o professor universitário Hugo Chicaroni por tentarem corromper um delegado da PF que investigava supostos crimes cometidos pelo banqueiro apontados na Operação Satiagraha.

Dantas foi preso duas vezes na semana passada, mas foi solto beneficiado por decisões do presidente do STF, Gilmar Mendes. A primeira prisão foi decretada pelo juiz De Sanctis no dia que a operação foi deflagrada. A defesa do banqueiro recorreu ao STF e, no dia seguinte, Gilmar Mendes concedeu o primeiro habeas corpus.

Cerca de dez horas depois que Dantas deixou a carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, o mesmo juiz federal decretou novamente a prisão de Dantas por tentativa de suborno. Documentos e o depoimento de Chicaroni reforçaram o pedido.

11.jul.2008/Apu Gomes/Folha Imagem
Montagem mostra ex-prefeito Celso Pitta e Naji Nahas saindo da Superintendência da PF
Montagem mostra ex-prefeito Celso Pitta e Naji Nahas saindo da Superintendência da PF

Dantas voltou à prisão e a defesa do banqueiro recorreu novamente ao STF. Apesar das novas provas, Gilmar Mendes concedeu novo habeas corpus na sexta-feira (11).

Segundo a Procuradoria, Chicaroni confessou em depoimento os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal para que o nome de Dantas e de integrantes da sua família fosse retirado de um inquérito da PF sobre supostas operações ilícitas. A defesa de Chicaroni nega.

Como prova, além do depoimento, a PF flagrou Braz e Chicaroni na suposta tentativa de suborno a um delegado. Gilmar Mendes negou liberdade a Chicaroni e Braz, os dois únicos investigados na Satiagraha que continuam presos.

Celso Pitta e Naji Nahas deixaram a carceragem da Superintendência da PF na madrugada do último dia 11. Eles foram soltos por decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes, que estendeu a Pitta, Nahas e mais nove pessoas o habeas corpus que havia concedido a Dantas no dia anterior.

O mais recente episódio da operação foi o afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha, o que provocou uma divisão interna na PF.

Enquanto delegados criticam o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, por tê-lo censurado e defendem punição ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, pelas ofensas à instituição, agentes da PF consideraram benéfica para a entidade a saída de Queiroz. Contrariados, policiais federais decidiram se reunir para estudar possíveis formas de protesto, até mesmo contra a cúpula da própria PF.

Caso Cacciola

Nesta quinta-feira, o ex-banqueiro Cacciola desembarcou no Brasil depois de uma viagem que o trouxe de Mônaco, onde estava preso desde setembro do ano passado. Ele estava acompanhado por uma escolta formada por agentes da PF e funcionários do Ministério da Justiça. Por decisão do STJ, Cacciola não foi algemado pois não representava risco aos policiais que o acompanhavam.

Rafael Andrade/Folha Imagem
Salvatore Cacciola chega ao Brasil; ele será transferido para o presídio de Bangu 8
Salvatore Cacciola chega ao Brasil; ele será transferido para o presídio de Bangu 8

Ele disse que nunca foi um foragido da Justiça. "Fui para a Itália com passaporte carimbado", afirmou, dizendo ainda estar "tranqüilo" e confiante na Justiça. Cacciola destacou que dez outras pessoas condenadas no mesmo processo estão livres e trabalhando. "A única diferença é que eu estava na Itália."

O ex-dono do Banco Marka está foragido há oito anos. Ele foi condenado à revelia no Brasil a 13 anos de prisão pela prática de vários crimes.

Em 1999, o banco Marka quebrou com a desvalorização cambial. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar.

O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.

O Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma "crise sistêmica" no mercado financeiro.

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão.

O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.

Em 18 de setembro do ano passado, a juíza federal Simone Schreiber, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro.

Fraude no RS

Em novembro de 2007, a Polícia Federal deflagrou a Operação Rodin, que prendeu 13 pessoas e desmontou uma fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul entre 2003 e 2007.

Segundo o MPF, o dinheiro desviado pela suposta quadrilha era desviado a partir do superfaturamento dos preços dos exames aplicados em candidatos a motoristas do Estado. Entre os presos estava o empresário Lair Ferst, que atuou na campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB).

O Detran fazia pagamentos à Fatec e à Fundae, fundações ligadas à Universidade Federal de Santa Maria, que repassavam o dinheiro a empresas subcontratadas pertencentes --segundo o MPF-- aos acusados. Uma CPI foi instalada pela Assembléia Legislativa gaúcha para investigar o desvio de dinheiro na estatal.

Em maio, o MPF denunciou 44 pessoas. A Justiça Federal abriu processo contra 40 suspeitos. Em junho, a CPI revela grampos telefônicos que ligam membros do governo de Yeda a acusados. Dias depois, a CPI revela uma gravação em que o ex-chefe da Casa Civil, Cézar Bussato (PPS) admite o uso de estatais para o financiamento de campanhas.

Yeda anunciou a demissão dos envolvidos e tenta montar um gabinete de transição com resistência de membros da base governista.

Na última terça-feira (15), a Justiça determinou o bloqueio de bens e contas bancárias de 41 pessoas e 11 empresas com ligações com a fraude. O bloqueio foi pedido pelo Ministério Público Federal.

Eike Batista

Na sexta-feira da semana passada (11), a PF deflagrou uma operação chamada Toque de Midas, que realizou buscas e apreensões na casa do empresário Eike Batista e em mais 11 locais. A operação tinha como objetivo averiguar possíveis irregularidades em licitação envolvendo o empresário na concessão da Estrada de Ferro do Amapá para a MMX (de propriedade de Eike).

19.jan.2007/Danilo Verpa/Folha Imagem
Empresa do grupo de Eike Batista, 50, foi envolvida em investigações da Polícia Federal
Empresa do grupo de Eike Batista, 50, foi envolvida em investigações da Polícia Federal

Uma investigação da PF apontou que o responsável por negociar o suposto direcionamento da licitação da ferrovia para a empresa de Eike também atuou como coordenador da arrecadação de recursos para a reeleição do governador Waldez Góes (PDT).

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Eike foi a pessoa física que mais colaborou com o comitê de Góes: foram R$ 200 mil para apoiar a reeleição do governador.

Apontado como representante dos interesses do governo estadual na concessão da ferrovia, o auditor-fiscal Braz Martial Josaphat tratou do assunto com o vice-presidente jurídico da EBX (empresa também de Eike), Flávio Godinho, de acordo com a PF, que gravou conversas entre os dois.

A assessoria de imprensa do governador nega que Josaphat tenha atuado na campanha para a reeleição e disse que ambos apenas "se conhecem". A assessoria também disse que o processo licitatório da ferrovia foi transparente.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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