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Brasil
17/07/2008 - 16h11

PF recua e decide divulgar trechos da reunião sobre saída de delegados da Satiagraha

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Polícia Federal voltou atrás e decidiu divulgar trechos do áudio da gravação do encontro da cúpula da direção geral PF na última segunda-feira, em São Paulo, com os delegados afastados da Operação Satiagraha --Protógenes Queiroz, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro. Anteriormente, a PF havia negado a intenção de divulgar trechos da reunião.

A decisão de divulgar os trechos da gravação foi tomada durante reunião nesta quinta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-interino da Polícia Federal, Romero Menezes --esse último substitui o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que está em férias--, apurou a Folha Online.

A reunião foi convocada extra-agenda oficial do presidente e ocorreu no momento em que o presidente pressiona para que o delegado Protógenes Queiroz continue no comando da operação.

Ontem, Lula cobrou de Protógenes a permanência na Operação Satiagraha e explicações sobre as insinuações de que foi pressionado a deixar a ação policial. Segundo o presidente, o delegado tem obrigação moral de continuar no caso. "Moralmente esse cidadão [Protógenes] tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações", afirmou Lula, após cerimônia no Palácio do Planalto. "Vender a idéia de que foi afastado é no mínimo de má fé. Não sei se ele falou ou não. Eu li isso hoje", afirmou.

Tarso disse que o delegado saiu por sua própria iniciativa e disse ser favorável à sua permanência no comando das investigações. "O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis. Manifestou em diálogo com superiores a sua vontade de sair. A saída do delegado é uma iniciativa dele. Não há nenhum tipo de iniciativa dos diretores da Polícia Federal, dos seus superiores, que determinassem a saída dele. Até esta saída dele, na minha opinião, não é conveniente", afirmou Tarso.

Aos amigos, Protógenes afirmou ter se sentido enfraquecido depois que Paulo Lacerda, ex-diretor da PF, deixou a polícia para assumir a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Reportagem publicada hoje pela Folha mostra que a saída de Protógenes provocou um racha na Polícia Federal.

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, a PF nega a versão de que o Queiroz teria sido "forçado" a se afastar do comando das investigações. A PF sustenta que o delegado pediu, em maio, para ser matriculado no curso superior da instituição que terá início do dia 21. Por este motivo, o delegado teve que se afastar da operação. O delegado teria sugerido continuar nas investigações aos "sábados e domingos" para freqüentar o curso nos demais dias da semana, mas o pedido não foi acatado pelos diretores da PF.

Há delegados que criticam Corrêa, por ter censurado Protógenes e defendem algum tipo de punição ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, pelas ofensas à instituição.

Já entre os agentes da PF a impressão é que o afastamento de Protógenes foi positiva. Contrariados, alguns policiais federais analisam a possibilidade de fazer um protesto --inclusive até mesmo contra a cúpula da própria PF.

Substituição

Apesar do apelo de Lula, a PF informou que Protógenes encerra seu relatório na sexta-feira e se afasta do caso.

Na tentativa de justificar o afastamento de Queiroz, a PF argumenta que o inquérito da Operação Satiagraha foi desmembrado em três partes no início das investigações. Protógenes teria ficado responsável somente pela primeira parte da operação, com foco nos crimes de gestão fraudulenta e corrupção. A segunda parte do inquérito, que investiga crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de influência e crimes contra o sistema financeiro --ligados ao investidor Naji Nahas-- não seriam da alçada do delegado.

Na terceira parte do inquérito, a PF vai ter como foco investigar os crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de influência e crimes contra o sistema financeiro cometidos supostamente pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

O delegado Ricardo Saadi, chefe da delegacia de combate aos crimes financeiros da Polícia Federal de São Paulo, vai assumir a segunda parte do inquérito, enquanto a delegada Érika Mialik Marena vai presidir a terceiro parte das investigações.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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