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Brasil
17/07/2008 - 20h29

Lula autorizou PF a divulgar trechos da reunião sobre afastamento de delegado; ouça

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RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a Polícia Federal a divulgar trechos da reunião da cúpula da instituição, realizada na última segunda-feira, em São Paulo, apurou a Folha Online. Na reunião, delegados da PF discutiram o afastamento dos delegados da Operação Satiagraha Protógenes Queiroz, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro.

A Folha Online apurou que a idéia de divulgar a gravação foi apresentada a Lula na reunião de hoje com o ministro Tarso Genro (Justiça) e o diretor-geral em exercício da PF, Romero Menezes. A idéia era usar a gravação para mostrar que Protógenes saiu da investigação por decisão própria e acabar com as insinuações de que houve pressão para ele se afastar.

08.jul.2008/Folha Imagem
PF divulga trechos da reunião da cúpula da instituição sobre afastamento de Protógenes
PF divulga trechos da reunião da cúpula da instituição sobre afastamento de Protógenes

Apesar da decisão ter sido tomada de manhã, a divulgação só aconteceu à tarde. Nesse intervalo de tempo, técnicos da PF selecionaram trechos da gravação que seriam divulgados. Das quase três horas de reunião, cerca de quatro minutos --editados-- foram divulgados pela PF. Num dos trechos, Protógenes diz que não pretende reassumir o inquérito nem mesmo depois de concluir um curso --motivo dado pela PF para sua saída do caso.

Em outra parte, Protógenes elogia o diretor-geral da PF Luiz Fernando Corrêa e outros colegas da instituição. Ele também admite que causou "problemas" para seus colegas de corporação.

A PF não divulgou o trecho em que ele se ofereceu para conduzir o caso aos sábados e domingos. Em nota, a PF informou ontem que a "sugestão não foi acatada pelos diretores já que traria prejuízo às pessoas convidadas a prestar esclarecimentos junto à investigação, comprometendo também a celeridade da apuração". "A autorização quebraria ainda a regra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantes na fase presencial."

Edição da gravação

Oficialmente, a justificativa para a necessidade de haver uma seleção dos trechos é porque a reunião, realizada na Polícia Federal, durou cerca de três horas e tratou de uma série de temas --inclusive alguns considerados sigilosos pelo governo.

Porém, os trechos que interessam para divulgação são os que dizem respeito diretamente ao fato de Protógenes dar a entender que quer deixar as investigações e que pretende fazer um curso de reciclagem na academia de polícia.

Interlocutores do governo informam ser fundamental demonstrar que há clareza na operação policial, do contrário, as suspeitas sobre a ação como um todo poderiam contaminar os efeitos positivos ocorridos a partir das investigações.

Ouça

A gravação traz diálogos entre Protógenes, Roberto Troncon Filho (diretor de Combate ao Crime Organizado), Paulo de Tarso Teixeira (chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros) e Leandro Coimbra (superintendente da PF em São Paulo). Mais oito pessoas participaram da reunião.

Ouça trechos da reunião da cúpula da PF

Polêmica

Os rumores sobre o afastamento de Protógenes começaram depois de ele receber críticas sobre a condução de prisões na Operação Satiagraha --especialmente a do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, flagrado de pijamas e algemas no momento de sua prisão.

Aos amigos, Protógenes afirmou ter se sentido enfraquecido depois que Paulo Lacerda, ex-diretor da PF, deixou a polícia para assumir a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Reportagem publicada hoje pela Folha mostra que a saída de Protógenes provocou um racha na Polícia Federal.

Ontem, Lula cobrou de Protógenes a permanência na Operação Satiagraha e explicações sobre as insinuações de que foi pressionado a deixar a ação policial. Segundo o presidente, o delegado tem obrigação moral de continuar no caso. "Moralmente esse cidadão [Protógenes] tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações", afirmou Lula, após cerimônia no Palácio do Planalto. "Vender a idéia de que foi afastado é no mínimo de má fé. Não sei se ele falou ou não. Eu li isso hoje", afirmou.

Tarso disse que o delegado saiu por sua própria iniciativa e disse ser favorável à sua permanência no comando das investigações. "O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis. Manifestou em diálogo com superiores a sua vontade de sair. A saída do delegado é uma iniciativa dele. Não há nenhum tipo de iniciativa dos diretores da Polícia Federal, dos seus superiores, que determinassem a saída dele. Até esta saída dele, na minha opinião, não é conveniente", afirmou Tarso.

Ouça trechos da reunião da cúpula da PF

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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