Advogado diz que Dantas e outros nove investigados vão ficar calados em depoimento
DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online
O advogado Nélio Machado disse nesta sexta-feira que o banqueiro Daniel Dantas e outros nove diretores do Oportunity investigados na Operação Satiagraha vão ficar calados durante depoimento marcado para a tarde de hoje. Machado entregou um documento ao delegado Protógenes Queiroz no qual justifica o silêncio de seus clientes.
| Raimundo Pacco/Folha Imagem |
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| O banqueiro Daniel Dantas chega para depor em SP; defesa diz que ele ficará calado |
No documento, o advogado diz que o inquérito está cheio de "vícios insuperáveis" e de "fatos estranhos, inusitados e irregulares que permeiam a investigação" desde fevereiro de 2007.
Machado também ressalta que houve vazamentos "abusivos" e "ilícitos" de informações do inquérito, além do cerceamento "intolerável" à atividade advocatícia. "O exercício da profissão [do advogado] está sendo violado", diz.
Dantas chegou às 14h15 à sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo. Ele entrou no prédio sem falar com a imprensa.
O banqueiro já foi ouvido na quarta-feira pelo delegado Protógenes Queiroz, que deve encerrar hoje o relatório da Operação Satiagraha. Ele é investigado por suposta tentativa de suborno e prática de crimes financeiros.
Além de Dantas, está previsto o depoimento de Verônica Valente Dantas (irmã e parceira de Dantas), Carlos Rodenburg, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Maria Amália Delfim de Mello Coutrin, Dório Ferman e Daniele Silbergleid Ninnio. Todos foram presos no último dia 8 mas foram soltos por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).
Outro argumento de Machado para que Dantas e os demais investigados permaneçam em silêncio é que nenhuma declaração será aproveitada de acordo com as regras do novo Código de Processo Penal.
O juiz da 6ª Vara Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, autor dos pedidos de prisão da Satiagraha, avalia que as alterações no Código de Processo Penal vão afetar a atuação da Justiça, dificultar a ação da Polícia Federal e a prisão de envolvidos em crimes de colarinho branco. Ele expediu dois pedidos de prisão contra Dantas.
Em tom de desabafo, durante entrevista nesta quinta-feira, De Sanctis afirmou: "Muitos juízes estão desiludidos com a carreira. Eu estou falando com grande certeza que a desesperança dos juízes é preocupante".
Segundo o magistrado, algumas leis que estão prestes a entrar em vigor dificultarão, entre outras coisas, o pedido de prisão preventiva dos suspeitos. "Só pode ser decretada, mesmo com a possibilidade de fuga da pessoa, se oito medidas forem tomadas antes pelo juiz".
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