Defesa critica juiz do caso Dantas e diz que ele integra "triunvirato acusatório"
DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online
A defesa do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, criticou hoje o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que atacou as mudanças no novo Código de Processo Penal, que entram em vigor em agosto. Sanctis mandou Dantas duas vezes para a prisão --o banqueiro foi solto depois por liminar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
"Divirjo profissionalmente dele. Faz críticas, como se legislador fosse, às leis do país, dizendo que agora haverá frouxidão", disse Nélio Machado, advogado de Dantas.
Sanctis disse ontem que as alterações no Código de Processo Penal vão afetar a atuação da Justiça, dificultar a ação da Polícia Federal e a prisão de envolvidos em crimes de colarinho branco. "Muitos juízes estão desiludidos com a carreira. Eu estou falando com grande certeza que a desesperança dos juízes é preocupante", afirmou ontem o juiz.
Machado afirmou que é "preciso acabar com esse mito do juiz que combate a criminalidade". "O juiz tem de ser uma pessoa completamente distanciada do foco das paixões. Não pode emitir opinião sobre o caso que nem se iniciou, o que se chama de instrução criminal. Estão inventando inquérito que não existe na lei."
O advogado disse ainda que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o juiz formam um "triunvirado acusatório".
Dantas --investigado por suposta tentativa de suborno e prática de crimes financeiros, depõe hoje para o delegado Protógenes Queiroz.
Viés político
O advogado disse que existe um "viés político" na investigação e que Dantas é vítima de "uma perseguição política". "O Daniel já foi condenado, já foi préjulgado, pois só pensam em prendê-lo, só pensam em enjaulá-lo."
Machado também reclamou da forma como a Polícia Federal está conduzindo o caso. "Em vista dessa celeuma interna da Polícia Federal, diz que não se fez exame do material coletado na casa do Daniel e vem o ministro da Justiça dizer que o inquérito já vai ser relatado", disse ele se referindo à suposta divisão da PF em grupos.
Entre as supostas irregularidades na investigação apontadas por Machado estaria a interceptação das conversar entre cliente e advogado. "Isso é um grampeamento fascistóide."
Machado comparou a investigação da PF com a ditadura. "Quero desmitificar e desmascarar uma investigação que se fez com a participação da Abin [Agência Brasileira de Inteligência], que chamo de SNI [Serviço Nacional de Informações] brasileiro", afirmou ele numa referência à ditadura.
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