Brasil
21/07/2008 - 09h35

Perícia da PF no caso Dantas pode durar até quatro meses

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LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

A análise dos documentos apreendidos nas casas e escritórios do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito Celso Pitta e de mais 21 investigados na Operação Satiagraha deverá consumir cerca de quatro meses de trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A PF irá periciar o que estima ser uma tonelada de papéis e equipamentos --resultado das 56 ordens de busca e apreensão cumpridas por cerca de 300 agentes no último dia 8, quando a operação foi deflagrada.

O cronograma de análise desse material será definido hoje pelo procurador da República Rodrigo de Grandis e pelo delegado da PF Ricardo Saadi, que assume hoje o comando dos inquéritos no lugar de Protógenes Queiroz, que afirma ter sido afastado da investigação pela cúpula da PF. A polícia diz que ele saiu voluntariamente.

No encontro, o delegado apresentará a nova equipe de peritos, escrivães e agentes enviados por Brasília para ajudar na perícia do material apreendido. Serão cerca de 30 pessoas a mais para o grupo. Saadi terá ainda o apoio de pelo menos cinco delegados, entre eles Karina Souza e Carlos Pellegrini, que já trabalhavam na investigação com Queiroz.

Ramificações

A Operação Satiagraha foi subdivida em quatro inquéritos, que enfocam diferentes crimes --a maioria dos indícios que embasam cada uma das apurações surgiu nas conversas telefônicas e telemáticas que vinham sendo gravadas pela polícia desde o início de 2007.

Apenas o inquérito aberto contra Dantas e dois supostos intermediários dele, Humberto Braz e Hugo Chicaroni, acusados pela PF de tentar subornar um delegado para que o nome do banqueiro e de familiares fossem excluídos da investigação, foi finalizado.

Na quarta-feira passada, com esse relatório em mãos, o Ministério Público Federal denunciou (acusou formalmente) os três por corrupção ativa. No mesmo dia, a Justiça abriu uma ação criminal contra eles.

O segundo inquérito foi relatado pelo delegado Queiroz na sexta-feira --último dia dele no caso. Dantas e outros nove citados foram acusados de suposta gestão fraudulenta e formação de quadrilha por gerir ilegalmente recursos no exterior por meio do banco Opportunity.

Com base na conclusão da PF, a Procuradoria irá analisar se denuncia os investigados ou, o mais provável, incorpora esse caso à terceira investigação iniciada contra Dantas, desta vez por supostos crimes financeiros, como evasão de divisas.

O alvo no quarto inquérito é o grupo ligado ao investidor Naji Nahas e ao ex-prefeito Celso Pitta, acusados de supostos crimes financeiros.

A conclusão desses casos depende ainda da análise dos documentos apreendidos. Não está descartada a abertura de novas frentes de investigação.

Uma delas focará a relação de 84 nomes de pessoas físicas e jurídicas que teriam enviado dinheiro para o exterior de forma ilegal por meio de aplicações financeiras no Opportunity Fund, sediado no paraíso fiscal das ilhas Cayman. Todos serão investigados por suposto crime de evasão de divisas.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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