Eleitor bate boca com Maluf em SP sobre Celso Pitta
MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online
Os últimos escândalos envolvendo o nome do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta permanecem frescos na memória do eleitor. O representante comercial Leandro Ferreira, 32 anos, questionou Paulo Maluf (PP) sobre o assunto nesta segunda-feira. O bate-boca ocorreu durante campanha municipal de Maluf na zona norte da cidade.
Pitta foi preso e solto no início de julho durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisa, entre outros.
O diálogo entre Maluf e o eleitor, que se diz indeciso, foi educado, mas duro. "O senhor fez uma declaração, certa vez, que se o Pitta não fosse um bom prefeito, 'nunca mais votasse em mim'. O que o senhor me diz agora, nesse momento, com toda a repercussão que deu no último caso dele [Pitta]?", questionou Ferreira.
Maluf foi abordado pelo representante comercial dentro de um loja na avenida Itaberaba. "São Paulo deu uma lição para o país de que não tem preconceito. Elegeu um carioca e negro. Então, nós quisemos é favorecer a raça. Eu acreditei nele. Agora, você deve ser responsável pelo ato de seu filho?", comparou Maluf.
"Pela educação que dei a ele, devo ser responsável", respondeu Ferreira. "Mas se ele amanhã atropelar alguém na rua, não é você que é o responsável. Vai acontecer alguma coisa é com ele mesmo", discordou Maluf.
Ferreira refutou: "Mas aquilo vai ser um fato derivado da educação que eu dei para ele, dentro de casa. O senhor concorda comigo?" "Não. não concordo. Cada um é responsável pelos seus atos. Eu acreditei nele [Pitta] e ele falhou. Eu errei", completou Maluf.
Acompanhando o candidato, a equipe de TV de Paulo Maluf entrevistou o representante comercial. Ele foi questionado sobre o que São Paulo não agüenta mais. Ferreira, que é negro, foi ainda mais duro: "Hipocrisia! Como um político pode chegar para você e dizer que ele elegeu um prefeito negro ou carioca para dar oportunidade à raça? A raça de quem está lá [no cargo] para mim não importa. Importa o caráter que ele tem".
Maluf minimizou a conversa com o representante comercial dizendo que 90% das pessoas que o abordaram manifestaram apoio e somente 1% demonstrou descontentamento com a presença dele na região. Questionado se o tema o incomoda, o ex-prefeito negou qualquer desconforto.
"Em absoluto, eu sou eu. Agora, se ele fez alguma coisa errada, não cabe a mim, a você, nem a ninguém na rua julgá-lo [Pitta]. No Estado democrático de Direito, quem julga é a Justiça. (...) Se ele fez alguma coisa errada, a Justiça vai condenar ou inocentar", afirmou o candidato.
Durante entrevista com Maluf, o vendedor Clóvis Raimundo Ferreira, de 36 anos, também negro, apresentou-se como eleitor do deputado federal e o defendeu. "O que o senhor acabou de falar, realmente a responsabilidade é do Pitta, não do senhor", disse.
Ao ser confrontado com a frase de Maluf em apoio ao então candidato Pitta, ele desconversou. "Olha, no calor do negócio [da campanha à época], quando indica uma pessoa, você aposta 100%. Você não conta que essa pessoa vai errar", disse o vendedor, que garantiu expressar-se por "livre e espontânea vontade".
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