Brasil
21/07/2008 - 14h57

Escândalo de corrupção no governo de Yeda Crusius gera crise no Tribunal de Contas

Publicidade

GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

O escândalo de corrupção que derrubou quatro secretários da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), gerou uma forte crise no TCE (Tribunal de Contas do Estado) gaúcho. O presidente do tribunal, João Luiz Vargas, é suspeito de ser o operador de uma das empresas por onde foi escoada parte dos R$ 44 milhões que, segundo a Polícia Federal, foram desviados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul.

A fraude consistia no superfaturamento e desvio de valores cobrados dos candidatos a motoristas gaúchos entre 2003 e 2007 e foi desmontada em novembro do ano passado pela Operação Rodin, da PF. A investigação da PF se desdobrou em uma ação penal contra 40 pessoas.

O elo entre o conselheiro e o escândalo é a empresa de consultoria IGPL, que recebeu pagamentos da Pensant Consultores, empresa de José Antônio Fernandes, acusado de ser um dos mentores da fraude. Até 2003, Vargas figurou como sócio da IGPL, sendo substituído por seu filho, Eduardo, que hoje é réu no processo que corre na Justiça Federal.

Com base em documentos da investigação da PF, o procurador do Ministério Público do TCE, Geraldo Da Camino, suspeita que Vargas seria na verdade "sócio oculto" da IGPL.

As iniciais JLV aparecem num canhoto de um cheque de R$ 20 mil da Pensant e numa agenda onde Fernandes fazia anotações sobre a fraude e o pagamento a empresas envolvidas. O presidente do TCE também é citado em e-mails interceptados pela PF.

Num deles, do ano passado, Fernandes orienta outros acusados a "agradecerem" Vargas pela defesa das fundações contratadas pelo Detran que integraram o esquema.

O procurador emitiu parecer favorável ao envio pelo TCE de um pedido de indiciamento à PGR (Procuradoria Geral da República), uma vez que o presidente do TCE tem foro privilegiado. O parecer do procurador será votado pelos conselheiros no dia 28.

Vargas disse à reportagem que só se pronunciaria sobre o caso diante do TCE e descartou afastar-se da presidência enquanto é suspeito. "Não me sinto desconfortável", afirmou.

O advogado do dono da Pensant, Cyro Schmitz, disse desconhecer pagamentos feitos ao presidente do tribunal. Eduardo Vargas e seu advogado não foram localizados pela Folha.

O suposto envolvimento do presidente com uma quadrilha não é o único problema do TCE. No início do mês, o auditor Aderbal Amorim, que interinamente ocupa a condição de conselheiro, denunciou a existência de nepotismo cruzado beneficiando parentes de conselheiros em outros Poderes e o que seriam abusos nos gastos com diárias de viagens.

As declarações de Amorim, diante de uma comissão na Assembléia Legislativa, aumentaram o clima de mal-estar na casa. O corregedor do TCE, Helio Mileski, foi o campeão de recebimento de diárias --R$ 342 mil em diárias entre 2000 e 2005, de acordo com o auditor. "É praticamente incompreensível a manifestação do auditor", criticou Mileski, afirmando que as diárias recebidas foram legais.

Cinco parentes do vice-presidente do tribunal, Porfírio Peixoto, disse Amorim, ocupam cargos de confiança no TCE. Peixoto não foi localizado.

Comentários dos leitores
O Pacificador (201) 26/11/2009 12h04
O Pacificador (201) 26/11/2009 12h04
"Servidores ameaçam greve contra plano de Yeda Crusius..."
Motivados por quem é contra a "meritocracia".
Que coisa horrível essa meritocracia, não é?
Aonde já se viu? Premiar quem trabalha mais, se esforça mais, supera metas...
Que coisa absurda...
O legal mesmo, para quem pensa assim, é a aquela imensa vala comum da mesmice...
Onde quem faz mais, é porque "quer aparecer"...
Tem gente, que ainda não percebeu que estamos no século XXI...
sem opinião
avalie fechar
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 09h24
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 09h24
Pelo jeito..., pode ter "áudio, filme, pedaços de gente, dinheiro na cueca, ambulâncias, mensalões, mansões sonegadas, 181 diretores, fantasmas e etc...e etc..., podem ter milhares de provas contundentes contra "políticos e autoridades"..., nada disso vai adiantar e nada disso vai servir como provas..., neste país, para alguém ir para a cadeia e ser punido só tem um jeito..., precisa ser "POBRE"..., aí então, com poucas ou nenhuma prova, vai para a cadeia com certeza..., a Yeda, Agaciel, Zoghbi, Sarneys, Dantas, asseclas e quadrilhas, jamais serão presos ou sofrerão algum tipo de penalidade..., a grana alí é das grossas e o "stf" jamais vai deixar serem penalizados. 2 opiniões
avalie fechar
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h03
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h03
Alguém pode me dizer quando um ocupante do poder executivo foi preso, municipal, estadual ou federal? Se devolveram algum centavo para os cofres públicos.? 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1003)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca