Nanicos ironizam própria condição e atacam grandes na disputa em SP
THIAGO FARIA
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
Atrás nas pesquisas de intenção de votos, o candidatos de partidos menores usaram o bom humor para se referir à própria condição na disputa eleitoral em evento da ONG Nossa São Paulo nesta segunda-feira. Na ocasião, a ONG entregou cerca de 1.500 propostas para a cidade a 8 dos 11 candidatos à Prefeitura de São Paulo.
O candidato do nanico PMN, Renato Reichmann, foi irônico ao se apresentar. "Deixa eu me apresentar porque eu sou um candidato que só um eleitor conhece: a minha mulher", afirmou.
Levy Fidélix (PRTB), que disse há 15 anos ser candidato --esta é a terceira vez em que tenta ser prefeito--, também fez graça de sua condição na disputa. "Nós somos considerados como 'outsiders'".
O peerretebista aproveitou parte dos dez minutos do seu discurso para criticar pesquisas que o colocam como se não tivesse nenhuma intenção de voto. "Nas pesquisas sou colocado com zero, mas com os três para cima e os três para baixo [margem de erro de pesquisas eleitorais], devo estar nos três para baixo", ironizou.
Ao falar de suas propostas que, segundo ele, foram aproveitadas por governantes, voltou a ser irônico. "Mais uma vez, idéia do candidato zero", disse Fidélix, provocando risos no público.
Cotoveladas
Candidato pelo PSOL, o deputado Ivan Valente criticou o fato de alguns candidatos usarem os governos estadual e federal para fazer promessas de campanha. "Não podemos aceitar candidatos que saem com pires na mão pedindo para outros governos", disse.
O discurso de Valente foi uma alusão ao que disseram, minutos antes, os candidatos Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT). O democrata falou de sua parceria com o governador do Estado, José Serra (PSDB), e Marta tentou ligar seu nome ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falando de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na cidade.
Sem críticas diretas, Edmilson Costa (PCB) defendeu uma campanha "alegre e bem humorada" em São Paulo. "Meu objetivo é buscar qualificar o debate", afirmou o candidato.
Última a falar, Soninha Francine (PPS) resumiu bem a tônica dos discursos anteriores. "Não é um debate, mas candidatos apresentam propostas que parecem cotoveladas no adversário."
Eleita vereadora nas eleições passadas, Soninha se disse preparada para o cargo de prefeita e também foi bem humorada ao explicar porque quer o "emprego". "Quero mais poder para poder mais."
Paulo Maluf (PP), Anaí Caproni (PCO) e Ciro Moura (PTC) não compareceram ao evento. Segundo a organização, todos os candidatos foram convidados.
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