92% dos vereadores das capitais tentam se reeleger em outubro
THIAGO REIS
BRENO COSTA
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha
A maioria deles já está ao menos no segundo mandato. Há um na décima e um na nona legislatura consecutiva. Ainda assim, quase todos vão tentar continuar no poder. Levantamento feito pela Folha nas 26 capitais do país mostra que, dos 709 vereadores das Câmaras Municipais, 656 (92,5%) concorrem à reeleição neste ano. Dos 53 restantes, 12 tentam uma vaga de prefeito ou vice. Só 41 devem deixar espontaneamente o cargo.
Caso a maior parte dos vereadores consiga se manter nas Casas, a taxa de renovação deve diminuir ainda mais. Em três das capitais, a possibilidade de novos ares a partir do ano que vem é ainda menor: todos os atuais vereadores das Câmaras Municipais de São Luís (MA) e Boa Vista (RR) tentam se manter no cargo.
Os dados do levantamento revelam, ainda, que 394 políticos (55,6%) já estão pelo menos em sua segunda legislatura.
Para o cientista político Geraldo Tadeu, da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o levantamento é "muito interessante porque comprova outros estudos, até internacionais, que apontam para a forte tendência de reprodução das elites políticas".
Para ele, ao mesmo tempo em que a manutenção das mesmas figuras gera "experiência" no trato político, ela cria uma "certa tendência à esclerose dessa elite, na medida em que impede a oxigenação" das administrações.
Em apenas sete Casas há mais novatos que veteranos. Há uma boa parcela exercendo o segundo mandato (23,3%), o terceiro (13,8%), o quarto (10,9%) e até o quinto (5%). Em Porto Alegre (RS), João Antonio Dib (PP) está no 9º mandato. O campeão é de Recife (PE): Liberato Costa Júnior (PMDB), na 10ª legislatura.
Na opinião do professor Luiz Henrique Bahia, também da Uerj, isso ocorre porque "o exercício do próprio mandato gera mais poder". "Se um vereador souber usar seu mandato, ele vai conseguir multiplicar isso, o que significa se reproduzir no poder. É uma tendência natural da política."
Segundo Bahia, a baixa taxa de renovação das Casas pode ser explicada também pela "falta de capacidade de geração de novas lideranças".
"O eleitor, por sua vez, também tem um comportamento mais passivo. A descrença na política se tornou uma coisa própria do eleitor, que tende a apenas reproduzir os votos."
Herança
Entre os poucos vereadores que não concorrem novamente à eleição neste ano, há os que de fato desistiram da política. Outros se preparam para 2010 ou vão desistir da disputa em favor de um parente.
Em São Paulo, por exemplo, Edivaldo Estima (PPS) vai abrir mão de uma nova candidatura para apoiar o filho, Fernando Estima (DEM). O mesmo fará Euler Ivo (PDT), em campanha pela filha Tatiana Lemos, do mesmo partido, em Goiânia.
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SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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