Após deixar investigações, Protógenes Queiroz começa curso em Brasília
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O delegado Protógenes Queiroz, afastado do comando das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, deu início nesta segunda-feira ao curso superior da instituição na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Oficialmente, a PF afirma que Protógenes deixou o comando das investigações para participar do curso, que exige a presença dos agentes policiais.
O delegado, no entanto, sustenta que foi afastado das investigações por determinação da cúpula da PF. Protógenes protocolou na última sexta-feira representação no Ministério Público Federal para denunciar que foi forçado a deixar o caso. Ele reclama, na representação, que foi prejudicado pela falta de recursos humanos e materiais para a condução das investigações.
O acesso à Academia Nacional de Polícia, onde o delegado realiza o curso, é restrito aos policiais federais. O delegado não deu declarações ao chegar ao local. A última aparição pública de Protógenes foi na sexta-feira, quando concluiu o relatório final da Operação Satiagraha.
O delegado encerrou o inquérito após tentar ouvir o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, pela terceira vez, na última sexta-feira --mas se recusou a responder os questionamentos do delegado. Protógenes indiciou o banqueiro e mais nove pessoas investigadas na operação por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Com o relatório, ele deixou o caso para fazer o curso obrigatório de formação de delegados da PF.
Após apresentar o relatório, Protógenes leu um pronunciamento na sede da PF no qual afirmou que cumpria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em obediência aos seus superiores na Operação Satiagraha.
A PF chegou a divulgar trechos de conversa gravada na reunião em que Protógenes foi afastado da operação, mas somente quatro minutos das quase três horas de encontro foram disponibilizados pela PF. Em conversas com interlocutores, o delegado disse que a fita divulgada pela Polícia Federal teve o sentido "adulterado" na tentativa de convencer que o seu afastamento da Operação Satiagraha foi voluntário.
O Ministério Público Federal em São Paulo abriu procedimento administrativo para apurar se as investigações da operação sofreram obstrução. O procedimento foi instaurado a pedido dos procuradores da República Anamara Osório Silva e Rodrigo De Grandis, com base na representação feita por Protógenes.
Segundo reportagem da Folha, o delegado foi "convidado" pela direção geral da PF a se afastar das investigações por causa de supostos excessos cometidos durante a operação --como a exposição de imagens da prisão do ex-prefeito Celso Pitta (SP).
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