Brasil
21/07/2008 - 15h17

Após deixar investigações, Protógenes Queiroz começa curso em Brasília

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O delegado Protógenes Queiroz, afastado do comando das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, deu início nesta segunda-feira ao curso superior da instituição na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Oficialmente, a PF afirma que Protógenes deixou o comando das investigações para participar do curso, que exige a presença dos agentes policiais.

O delegado, no entanto, sustenta que foi afastado das investigações por determinação da cúpula da PF. Protógenes protocolou na última sexta-feira representação no Ministério Público Federal para denunciar que foi forçado a deixar o caso. Ele reclama, na representação, que foi prejudicado pela falta de recursos humanos e materiais para a condução das investigações.

O acesso à Academia Nacional de Polícia, onde o delegado realiza o curso, é restrito aos policiais federais. O delegado não deu declarações ao chegar ao local. A última aparição pública de Protógenes foi na sexta-feira, quando concluiu o relatório final da Operação Satiagraha.

O delegado encerrou o inquérito após tentar ouvir o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, pela terceira vez, na última sexta-feira --mas se recusou a responder os questionamentos do delegado. Protógenes indiciou o banqueiro e mais nove pessoas investigadas na operação por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Com o relatório, ele deixou o caso para fazer o curso obrigatório de formação de delegados da PF.

Após apresentar o relatório, Protógenes leu um pronunciamento na sede da PF no qual afirmou que cumpria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em obediência aos seus superiores na Operação Satiagraha.

A PF chegou a divulgar trechos de conversa gravada na reunião em que Protógenes foi afastado da operação, mas somente quatro minutos das quase três horas de encontro foram disponibilizados pela PF. Em conversas com interlocutores, o delegado disse que a fita divulgada pela Polícia Federal teve o sentido "adulterado" na tentativa de convencer que o seu afastamento da Operação Satiagraha foi voluntário.

O Ministério Público Federal em São Paulo abriu procedimento administrativo para apurar se as investigações da operação sofreram obstrução. O procedimento foi instaurado a pedido dos procuradores da República Anamara Osório Silva e Rodrigo De Grandis, com base na representação feita por Protógenes.

Segundo reportagem da Folha, o delegado foi "convidado" pela direção geral da PF a se afastar das investigações por causa de supostos excessos cometidos durante a operação --como a exposição de imagens da prisão do ex-prefeito Celso Pitta (SP).

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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