Mineradora do grupo Opportunity possui alvarás de pesquisa em dez Estados
BRENO COSTA
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém
O braço minerador do grupo Opportunity possui alvarás de pesquisa em dez Estados brasileiros, de acordo com dados do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).
Hoje, a área de pesquisa da GME4 do Brasil Participações e Empreendimentos S.A, criada no ano passado pelo grupo de Daniel Dantas, é maior do que o Estado de Sergipe.
Em um ano, a empresa conseguiu autorizações para pesquisas em uma área 57,9% superior à autorizada no mesmo período para a Vale, segunda maior mineradora do mundo. Em termos de requisições de pesquisa encaminhadas ao DNPM no mesmo período, a área solicitada pela Vale representa 1/4 da solicitada pela mineradora do grupo.
Segundo levantamento feito pela Folha em atos publicados em "Diário Oficial", o primeiro interesse da empresa era encontrar ouro em Mato Grosso.
Os requerimentos foram apresentados em junho do ano passado. Um ano depois, a área já autorizada pelo DNPM para a pesquisa do minério no Estado já é maior que a cidade de São Paulo e abrange pelo menos cinco municípios mato-grossenses.
Neste mês, a empresa conseguiu autorização para pesquisar veios de diamante no município de Pedro Gomes (MS). O grupo também conta com a chancela do DNPM para prospectar minérios em Goiás, Bahia, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Os alvarás começaram a ser concedidos em abril deste ano e têm validade de três anos cada um. Se a empresa achar minérios, ela pode vender os seus direitos de exploração ou ela própria explorar os recursos encontrados no solo.
Em alguns casos, o espaço de tempo entre o pedido da GME4 e a expedição do alvará foi de dois meses.
"Não me recordo de um caso semelhante, com tantos pedidos, e especialmente pela velocidade da aprovação deles", afirmou o procurador da República Marco Mazzoni, que atua em processos sobre mineração na principal região mineradora do país, o sudeste do Pará.
De acordo com Peterson Guedes, diretor de fiscalização do DNPM, os períodos observados no caso da GME4 são normais. Dois consultores do setor da mineração ouvidos pela reportagem classificaram de "incomum" a quantidade de pedidos do Opportunity, apesar de a estratégia não ser inédita no mercado.
Comparação
Procurada pela reportagem, a empresa disse desconhecer os dados de comparação com a Vale e apresentou um comparativo com dados de processos ativos no DNPM, sem contar o período de cada processo, que mostra que ao todo a Vale possui mais áreas de exploração.
Em comunicado, disse que a GME4 foi constituída "com o objetivo de promover a pesquisa mineral" e que é compromissada com "a valoração dos potenciais minerais do território brasileiro, nas áreas que lhe são outorgadas".
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