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Brasil
22/07/2008 - 13h52

Governador da Bahia nega relação com atividades de publicitário investigado na Satiagraha

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse nesta terça-feira que não tem qualquer relação com as atividades profissionais do publicitário Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, acusado de receber R$ 255 mil em 2005 da Brasil Telecom, à época controlada pelo Opportunity. Martins, investigado pela Operação Satiagraha da Polícia Federal como suposto responsável pelos 'contatos políticos' do banqueiro Daniel Dantas, é um dos melhores amigos de Wagner.

O governador disse que o publicitário não mantém qualquer contrato com o governo da Bahia e, se estiver envolvido em irregularidades, deve responder na Justiça.

"O Guilherme tem o trabalho dele, terá que responder na Justiça. Não tenho nada a ver com isso", afirmou.

Wagner disse que Martins não fez lobby junto ao governo da Bahia, em nome de Dantas, uma vez que o Estado não possui contratos firmado com o Opportunity. Questionado se o publicitário teria feito lobby para Dantas no governo federal, o governador disse não ter conhecimento do caso uma vez que está "afastado há muito tempo" do Executivo.

O governador admitiu que é muito amigo do publicitário, mas disse que a vida profissional de cada um é independente. "O Guilherme tem uma empresa que presta serviços ao Daniel Dantas, o caso tem que ser apurado. Ele estava pedindo informações para o cliente dele", afirmou.

Reportagem publicada pela Folha nesta terça-feira afirma que Martins teria recebido R$ 255 mil em 2005 da Brasil Telecom, à época controlada pelo Opportunity. O pagamento aparece em auditoria feita em 2005 pelos novos controladores da BrT. Conforme o documento, o serviço prestado por Martins "pode ser entendido como lobby".

Segundo a auditoria, o publicitário disse, em entrevista aos auditores, que "mantém contatos com diversos parlamentares, além de ser muito próximo do presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva], em função da relação de anos com o PT". Ele também citou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

Nos relatórios da Operação Satiagraha, Martins aparece telefonando ao ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para que ele obtivesse informações com o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, sobre uma nova investigação federal contra o banqueiro.

Questionado sobre a ligação de Martins com Greenhalgh, Wagner considerou "natural" que o advogado buscasse informações sobre o seu cliente junto ao governo. "Ele estava pedindo informações para o cliente dele, é advogado, foi buscar informações onde achava que ia ter."

O governador minimizou o fato de petistas como Greenhalgh e Carvalho aparecerem nas investigações da Operação Satiagraha com supostas ações de tráfico de influência no governo.

"Essa não é uma questão do PT, mas do Estado. Vários ex-integrantes de governos anteriores voltaram para a iniciativa privada. Não se deve elencar esse ou aquele partido, as regras devem ser transparentes para todos."

Na opinião de Wagner, a ação de Greenhalgh como advogado é legítima. "O trabalho profissional de cada um é o trabalho profissional de cada um. Se um advogado for contratado, não vejo problema", afirmou.

Investigações

O delegado que conduzia a Satiagraha, Protógenes Queiroz, chegou a pedir a prisão temporária de Martins, mas o pedido foi negado pelo juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto De Sanctis.

Segundo reportagem da Folha, em 2004, quando Martins fez seu primeiro contrato com a BrT, Jaques Wagner era ministro do Desenvolvimento Econômico e Social. Em julho de 2005, assumiu a pasta de Relações Institucionais. Martins foi casado com Fátima Mendonça, mulher do governador baiano.

A Folha apurou que foi Martins quem indicou a Lula o acupunturista Gu Han Chu, que tratou da sua bursite em 2004. Martins, antes de ser publicitário, exercia a ortopedia.

Ainda em 2004, a GLT Comunicações assumiu a assessoria da empreiteira Gautama, de Zuleido Veras, pivô da Operação Navalha, deflagrada pela PF em 2007. Em maio daquele ano, quando estourou o escândalo, Wagner disse que Martins era seu melhor amigo. Foi ele quem, segundo Wagner, pediu emprestado a Veras a lancha em que o petista e a ministra Dilma Rousseff passearam em Salvador em 2006.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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