Brasil
22/07/2008 - 17h40

Yeda Crusius minimiza denúncias de corrupção e se diz vítima de "agenda policial"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), minimizou nesta terça-feira o escândalo de corrupção que atingiu o seu governo e resultou no afastamento de quatro secretários estaduais. Crusius disse ser vítima de uma "agenda policial" imposta ao governo que impediu a discussão de outros temas relevantes ao Estado.

"A agenda desse semestre foi policial e ganhou manchetes mais fortes que zerar o déficit do Estado. Enfrentei este ano uma agenda que não foi minha e se transformou numa CPI que não tem regras", criticou.

A governadora disse não ter pressa para indicar os novos secretários estaduais que vão substituir os afastados em meio à crise. "Eu não tenho pressa. Os outros estão com mais pressa do que eu. A agente que me foi imposta deve perceber que eu devo ter o meu tempo agora."

Crusius disse que o governo não ficou parado em meio à crise política. "O que não consigo é mostrar os fatos bons. Nós quadruplicamos os gastos em programas sociais. A população não conseguiu acompanhar tudo de bom que registramos nesse período", disse.

A governadora ressaltou como um dos fatos positivos de seus governo a possibilidade de zerar o déficit do Estado nos próximos dois anos.

O escândalo de corrupção que derrubou quatro secretários da governadora gerou uma forte crise no TCE (Tribunal de Contas do Estado) gaúcho. O presidente do tribunal, João Luiz Vargas, é suspeito de ser o operador de uma das empresas por onde foi escoada parte dos R$ 44 milhões que, segundo a Polícia Federal, foram desviados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul.

Denúncias

Em novembro de 2007, a Polícia Federal deflagrou a Operação Rodin, que prendeu 13 pessoas e desmontou uma fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran do Rio Grande do Sul entre 2003 e 2007.

Segundo o MPF, o dinheiro desviado pela suposta quadrilha era desviado a partir do superfaturamento dos preços dos exames aplicados em candidatos a motoristas do Estado. Entre os presos estava o empresário Lair Ferst, que atuou na campanha da governadora Yeda Crusius.

O Detran fazia pagamentos à Fatec e à Fundae, fundações ligadas à Universidade Federal de Santa Maria, que repassavam o dinheiro a empresas subcontratadas pertencentes --segundo o MPF-- aos acusados. Uma CPI foi instalada pela Assembléia Legislativa gaúcha para investigar o desvio de dinheiro na estatal.

Em maio, o MPF denunciou 44 pessoas. A Justiça Federal abriu processo contra 40 suspeitos. Em junho, a CPI revela grampos telefônicos que ligam membros do governo de Yeda a acusados. Dias depois, a CPI revela uma gravação em que o ex-chefe da Casa Civil, Cézar Bussato (PPS) admite o uso de estatais para o financiamento de campanhas.

Yeda anunciou a demissão dos envolvidos e tenta montar um gabinete de transição com resistência de membros da base governista. Na última terça-feira (15), a Justiça determinou o bloqueio de bens e contas bancárias de 41 pessoas e 11 empresas com ligações com a fraude. O bloqueio foi pedido pelo Ministério Público Federal.

Comentários dos leitores
O Pacificador (65) 06/11/2009 16h36
O Pacificador (65) 06/11/2009 16h36
Estou muito curioso para saber se o povo gaucho, cairá no golpe armado contra Yeda.
É desproporcional, a força com que estão querendo minar o governo dela.
O engraçado, é que são os mesmos grupos e partidos que antes governaram o Estado, e motivaram a saída de centenas de empresas de lá.
Por pura instabilidade economica e falta de visão estratégica.
São os mesmos!
E querem a boquinha de volta.
Será que os gaúchos caíram neste golpe?
Para o bem deles, tomara que não.
26 opiniões
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ALBERTO RUIZ (74) 06/11/2009 14h50
ALBERTO RUIZ (74) 06/11/2009 14h50
É a politica do toma lá dá cá. Ô País. Vou-me embora pra Passargada porque lá tbem vou ser rei. sem opinião
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Marcelo Moreto (167) 06/11/2009 13h17
Marcelo Moreto (167) 06/11/2009 13h17
... mas que pampa é essa que eu recebo agora, com a missão de cultivar raízes, se dessa pampa que me fala a história, não me deixaram nem sequer matizes, passam as mãos da minha geração, heranças feitas de fortunas rotas, campos desertos que não geram pão, onde a ganância anda de rédeas soltas... 1 opinião
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