Procuradoria denuncia prefeito por envolvimento com máfia das sanguessugas
da Folha Online
A Procuradoria Regional da República em Mato Grosso denunciou nesta terça-feira o prefeito de Novo Mundo, Nelson Baumgratz, eleito em 2004 pelo PPS, por suposto envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Também foram denunciados Darci José Vedoin, Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Alessandra Trevisan Vedoin, acusados de coordenar as fraudes. Eles responderão pelos crimes desvio de verbas públicas, fraude em licitação e formação de quadrilha.
O esquema, que fraudava licitações no Ministério da Saúde, foi desbaratado em maio de 2004 na Operação Vampiro do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
Segundo investigações da PF, da CGU (Cobtroladoria Geral da União) e da Receita Federal, os denunciados teriam criado empresas fantasma para forjar uma licitação e vender ambulâncias e equipamentos de saúde com preços superfaturados.
Em Novo Mundo, os equipamentos superfaturados comprados em 2002 chegaram a 315% da média de preço cobrada pelos fornecedores. O prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 36 mil.
O procurador regional da República Paulo Vasconcelos Jacobina, autor da denúncia, disse que os Vedoin mantinham uma rede de contatos na Câmara e no Senado Federal para garantir os recursos das ambulâncias.
"Os agentes públicos aliciados pela quadrilha garantiam a aprovação de emendas parlamentares ao orçamento federal, emendas essas que destinavam verbas do Sistema Único de Saúde aos municípios envolvidos, justamente para aquisição das ambulâncias", disse.
Outro lado
A reportagem não localizou Nelson Baumgratz na Prefeitura de Novo Mundo na noite desta terça-feira para comentar o assunto.
A advogada Amanda Barreto, que defende os Vedoin, também não retornou o recado deixado em seu escritório para comentar a denúncia.
Sanguessugas
A máfia dos sanguessugas teve como pivô a empresa mato-grossense Planam. Segundo a Polícia Federal, seu proprietário, Luiz Antônio Vedoin, comandaria esquema com a participação de prefeituras, deputados, senadores, ONGs e funcionários públicos, pelo qual ambulâncias superfaturadas seriam compradas com dinheiro do Orçamento. Também haveria fraudes na aquisição de equipamentos hospitalares.
Uma CPI sugeriu indiciamento de 72 parlamentares. Ninguém perdeu o mandato nos casos analisados. Deputados que não se reelegeram foram denunciados à Justiça.
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