Brasil
23/07/2008 - 09h10

Governo divulga nova explicação para dossiê anti-FHC

FERNANDA ODILLA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A mais nova versão do Palácio do Planalto para o dossiê anti-FHC atesta que, apesar de terem perdido o caráter sigiloso, os gastos da Presidência durante o segundo mandato do ex-presidente tucano não podem ser divulgados.

A publicidade de informações que dizem respeito à vida privada e à intimidade deve ser restrita a quem fez compras com dinheiro público, segundo o Gabinete de Segurança Institucional que, a pedido da Casa Civil, elaborou parecer de 20 páginas sobre o tema.

Para sustentar o argumento de que os gastos do ex-presidente e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso não podem ser divulgados na íntegra, o GSI evocou legislação de 2005, que estabeleceu prazos e critérios para a abertura dos arquivos da ditadura militar.

A lei definiu que documentos públicos que contenham informações relacionadas a intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas terão "acesso restrito à pessoa diretamente interessada ou, em se tratando de morto ou ausente, ao seu cônjuge, ascendentes ou descendentes".

Essa é a terceira versão do Palácio do Planalto para o dossiê. Primeiro, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tratou como "sigilosas" as informações sobre gastos de Fernando Henrique Cardoso. Em nota à imprensa, a Casa Civil classificou como "prática criminosa" o vazamento de dados "sigilosos". Mas, em maio, a ministra mudou a versão e disse que as informações do banco de dados não eram mais sigilosas, pois o caráter reservado já havia caducado. Na ocasião, Dilma defendeu, em audiência pública no Senado, a divulgação de gastos de ex-presidentes.

O GSI informa que o parecer técnico foi elaborado para atender a uma solicitação da Casa Civil. No ofício encaminhado a Dilma, em 19 de junho, o general Jorge Felix escreveu: "Pode-se concluir que os processos analisados não mais necessitam ser considerados sigilosos à luz dos procedimentos utilizados pelo sistema de segurança presidencial, a partir de janeiro de 2003. Entretanto, a publicidade dos referidos processos deverá observar a ressalva contida no artigo 7 da lei 11.111/ 2005".

O ofício do general mistura as duas primeiras versões da Casa Civil. Foi a solução jurídica encontrada pelo Planalto para proteger quem deu a ordem para preparar o dossiê e para dificultar a divulgação dos gastos dos primeiros seis meses de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente.

Ao afirmar, baseando-se em dois decretos presidenciais, que informações classificadas como reservadas perdem esse caráter após cinco anos, o governo atesta que os dados de 2003 dos cartões corporativos não são mais protegidos por confidencialidade.

O parecer do GSI deverá também balizar o relatório final da comissão de processo administrativo disciplinar que apura o vazamento do banco de dados formulado pelo governo.

Comentários dos leitores
Luis Duraes (20) 22/09/2008 16h55
Luis Duraes (20) 22/09/2008 16h55
Disse Luis Inacio I : "...ninguem neste pais tem mais etica e moral do que o nosso partido (PT)". Eis uma magnifico exemplo da etica e da moral deste partido ! Bem feito para quem acredita neles ! Eu acredito em cegonha , mula-sem-cabeca, saci,etc mas nao acredito no partido DELLE. 8 opiniões
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Mauricio Anadrade (391) 22/09/2008 14h24
Mauricio Anadrade (391) 22/09/2008 14h24
Dossie contra Tucanos. Dolares de Cuba. Conta no exterior em nome de Lula. Grampos no ministro Gilmar Mendes. Etc, etc, etc.
Eu ia dizer que nada há de prova. Mas neste país prova é o que menos precisa.
Sendo pra difamar a imagem tudo vale. E o pior, fomentado pela grande mídia.
Mas a que interessem servem?
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Rui Ruz Caputi Caputi (822) 22/09/2008 14h18
Rui Ruz Caputi Caputi (822) 22/09/2008 14h18
Esse é o jeito petista de governar. Uma mescla de paternalismo, parasitismo. Petistas nunca são punidos, e nesse casa ainda promovidos. 9 opiniões
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