Brasil
23/07/2008 - 09h23

Mangabeira se reuniu com a Kroll a pedido de Dantas

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ANA FLOR
FERNANDO BARROS DE MELLO
RUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo

Uma auditoria interna feita em 2005 pelos novos controladores da Brasil Telecom, após a saída do banqueiro Daniel Dantas, detalhou as atividades do atual ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) para a BrT nos Estados Unidos e seus encontros com a empresa Kroll. Entre 2002 e 2005, Mangabeira recebeu cerca de US$ 2 milhões pelos serviços prestados à BrT, segundo a auditoria.

Mangabeira assumiu o ministério em 2007. À época, consultou a Comissão de Ética Pública da Presidência para saber se poderia acumular o cargo no governo com a atuação de "trustee" da BrT. A comissão respondeu negativamente.

Em 2003, a BrT e Mangabeira, que morava em Massachusetts (EUA), assinaram um acordo pelo qual o filósofo serviria como um fiel depositário ou procurador da empresa ("trustee"). Sua atuação seria em ações judiciais da BrT contra a Telecom Itália e os dirigentes da mesma companhia, contra o grupo holandês Stet International e contra os fundos de pensão Previ (fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (fundo dos funcionários da Petrobrás) e Telos (fundo dos funcionários da Embratel).

Conforme o combinado, Mangabeira poderia processar, negociar e estabelecer acordos dentro desses casos, fazer empréstimos e contratar serviços em nome da empresa. O acordo que lhe dava esses poderes tinha prazo de 20 anos.

Apesar de ser sócio minoritário da BrT, o Opportunity, de Dantas, tinha poderes para remover Mangabeira --e qualquer outro "trustee" que assumisse o cargo-- a qualquer momento. Dantas e Mangabeira são amigos.

Menos de um ano depois de criado o "trustee", sua formação foi questionada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que solicitou esclarecimentos à Brasil Telecom. Os questionamentos haviam sido enviados à comissão por fundos de pensão que travavam briga jurídica com a empresa.

A CVM demonstrou preocupação do efeito que o acordo entre Mangabeira e a BrT teria sobre os interesses dos sócios minoritários da empresa.

Kroll

Em uma planilha de gastos e reembolsos colhida pela auditoria, são apresentados gastos de viagem de Mangabeira para "encontro com Kroll".

A viagem a Nova York ocorreu na última semana de janeiro de 2004. O relatório menciona outros encontros. Mangabeira também viajou para se reunir com advogados.

Em 2004, a Folha revelou que a empresa americana de investigação industrial Kroll havia sido contratada pela Brasil Telecom, controlada pelo Opportunity, para espionar a Telecom Italia.

A Kroll obteve documentos e produziu relatórios nos quais, pelo conteúdo das informações, surgiram indícios de práticas ilegais. As duas empresas, que eram sócias, acabaram brigando no processo de privatizações das empresas de telefonia do país.

A suposta espionagem acabou atingindo autoridades brasileiras, como o então ministro Luiz Gushiken e o ex-presidente do Banco do Brasil Cassio Casseb.

O principal personagem da rede investigada pela Polícia Federal, que criou a Operação Chacal para acompanhar o caso, era o português Tiago Verdial. Ele foi o intermediário da Kroll para chegar às informações que interessavam à Brasil Telecom --muitas protegidas por sigilo.

A operação de fraude, segundo as investigações da Polícia Federal, consistia em forjar documentos pessoais e percorrer os caminhos legais que qualquer contribuinte teria de se submeter se quisesse obter uma cópia de sua declaração de Imposto de Renda.

Outro lado

O ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), segundo a assessoria de imprensa, estava em viagem no fim da tarde de ontem e não ligou de volta até o fechamento desta edição.

Em janeiro de 2006, ele declarou que nunca tomou ou tomará medidas para beneficiar o grupo Opportunity em detrimento da Brasil Telecom.

Mangabeira afirmou, à época, que as reuniões com representantes da Kroll eram para tratar das investigações sobre a compra supostamente superfaturada da empresa CRT.

Em junho de 2007, a Comissão de Ética Pública da Presidência, em resposta a um questionamento de Mangabeira, disse que ele não poderia acumular as funções de "trustee" e de ministro.

Em julho, Mangabeira enviou à Folha carta em que afirmava ter renunciado, em "caráter irrevogável e irretratável, sem qualquer condição", ao cargo de "trustee" da Brasil Telecom.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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