Brasil
23/07/2008 - 15h09

Jungmann apresenta projeto que endurece penas para crimes de abuso de autoridade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em meio às acusações de excessos cometidos pela Polícia Federal na Operação Satiagraha, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) entregou nesta quarta-feira ao ministro Tarso Genro (Justiça) projeto de lei que endurece as penalidades para os crimes de abuso de autoridade. O texto aumenta dos atuais seis meses para oito anos o tempo máximo de prisão para as autoridades que cometerem abusos, além de elevar o tempo mínimo de detenção para esses crimes de 10 dias para quatro anos.

O projeto tipifica, em detalhes, o crime de abuso de autoridade. Se a matéria for aprovada pelo Congresso, passa a ser crime ordenar ou executar prisões com abuso de poder, submeter pessoas a constrangimentos, obrigar detidos a usarem algemas (com exceção para casos em que elas são indispensáveis) ou deixar de comunicar ao juiz a prisão imediata de qualquer cidadão.

O texto também considera crime vazar informações de inquéritos sigilosos que tramitam na Justiça, como ocorreu na Operação Satiagraha. Jungmann argumenta que a legislação brasileira está "defasada" no que diz respeito à tipificação dos crimes de abuso de autoridade por ter sido criada em 1965.

"O Estado é responsável pela dignidade de todo e qualquer preso. Temos que regulamentar. Não se pode fazer escuta clandestina, por exemplo, em que o monitorado acaba também tendo como grampeado todas as pessoas que entram em contato com ele", afirmou.

Jungmann disse que, se a lei já estivesse em vigor, a PF não teria cometido "abusos" na Operação Satiagraha como a divulgação de imagens da prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta --flagrado em sua casa, de pijama, no momento em que foi detido pela PF. "Eu acho que o uso da imagem do Pitta aplicaria em crime de abuso de autoridade", afirmou.

O deputado disse que o projeto não proíbe o uso de algemas, mas estabelece que o instrumento só pode ser aplicado sem que haja abusos. "Se alguém usar uma coerção que não está na lei, cometerá abuso de autoridade. Hoje não temos nenhum tipo de punição."

Na Operação Satiagraha, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, fez duras críticas à conduta da PF depois que Pitta, o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas foram algemados pelos agentes policiais.

Mendes classificou a ação da PF de "espetacularização", o que abriu uma crise entre o Executivo e o Judiciário no início da operação com trocas de acusações entre Mendes e Tarso.

O delegado responsável pela Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, acabou afastado do cargo em conseqüência dos "excessos" cometidos pela PF durante a ação. Oficialmente, a Polícia Federal nega que Protógenes tenha sido forçado a deixar a operação --com o argumento de que o delegado havia pedido para fazer um curso da instituição.

Para dar fim à crise entres os poderes, Tarso e Mendes se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e articularam mudanças na lei de abuso de autoridade. A pedido de Mendes, as alterações na legislação estarão entre as prioridades do governo no segundo semestre deste ano.

No encontro com Jungmann, Tarso disse estar disposto a apoiar as mudanças e prometeu incorporar a proposta do deputado ao projeto que está sendo elaborado pelo governo.

Mordaça

Jungmann negou que o projeto seja uma reedição da chamada "lei da mordaça", que tramita no Senado Federal desde 2004. A lei proíbe juízes, membros do Ministério Público e autoridades policiais de dar informações sobre investigações em andamento.

Segundo o deputado, o seu projeto não tem como objetivo "amordaçar" os policiais ou autoridades responsáveis por investigações judiciais. "Não há nenhuma restrição do poder, mas sim do abuso. O cidadão que paga as suas contas em dia vai ser beneficiado com essa lei", afirmou.

Comentários dos leitores
Bella Bona Fides (1) 05/10/2008 10h31
Bella Bona Fides (1) 05/10/2008 10h31
Parabéns Silva e Silva por sua lucidez e verdade.
Os ANTI-BRASIL estão sem ARGUMENTO NENHUM, por esta razão BAIXAM O NÍVEL, revelando o ranço e e todo o preconceito desmedido,
Só não vê quem é cego, a verdade está bem clara, seu texto deveria ser considerado uma CRÔNICA, e lembrado todos os dias
Meus sinceros PARABÉNS, quem não leu e prima pela verdade leia:
"Caros Leitores,
Percebam a tática utilizada pelos petralhas neste site.
Querem a todo custo destruir, enfraquecer, tirar a credibilidade da mídia, do congresso, do judiciário, desqualifiar todo e qualquer oponente, através de dissimulações e de inversões de fatos.
Desta forma, abrem caminho para que emendas constitucionais, referendos, possam ser utilizados a seu favor, nos moldes do Equador, da Bolívia, da Venezuela, o que representa um grande perigo a liberdade democrática do cidadão.
Percebam que, mesmo sabedores que o grande chefe, o lulla, responsável pela PF e Abin, sendo ele o destinatário final dos relatórios dessas instituições, preferem condenar como responsáveis o GM, o Judiciário, o Congresso, e a Mídia.
Ninguém aqui, jamais vera em qualquer texto deles qualquer menção ao nome lulla.
Mas verão até a CUT, mesmo sem representatividade, pedindo e protocolando o pedido de impeachment de GM.
Por outro lado, não é mero acaso, que numa segunda tentativa, novamente, eles estejam pleiteando, desta feita mais branda, mas não menos perigosa, a LEI DA MORDAÇA PARA A IMPRENSA BRASILEIRA.
E nós que conseguimos vislumbrar com clareza essa SAFADEZA, somos adjetivados como sendo a "elite branca", a "classe mérdia".
Mesmo que fossemos, quem os sustenta são todas as elites, e toda a classe média pagadora de impostos, que vão para o esgoto a cada minuto neste des(governo) de aloprados.
O brasileiro tornou-se um escravo, que trabalha de graça 5 meses para pagar aloprado"(sic)
sem opinião
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Aqui temos vários absurdos: a FSP subrepticiamente, quer dar a entender que o advogado do Daniel Dantas está pedindo à Condolessa que destrua documentos que podem incrimina-lo (ao Dantas). Não é isso, o advogado americano, que, por acaso é o advogado do Dantas, pede que a Secretaria de Estado interfira para que ele, advogado, não seja incriminado no Brasil por atos que praticou na defesa do cliente. Fica feio deturpar a notícia! 24 opiniões
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Antonio Fouto Dias (1691) 03/10/2008 17h01
Antonio Fouto Dias (1691) 03/10/2008 17h01
Enquanto que no Brasil se questiona o uso de algemas, tivemos conhecimento de que o piloto Helio Castro Neves, compareceu à Corte algemado não só nas mãos, como nos pés, pois está respondendo a processo por sonegação fiscal.
Teve que pagar uma significativa fiança para responder em liberdade.
Se no Brasil, não só utilizassem legislação equivalente como a cumprissem, o que seria de alguns?
7 opiniões
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