Brasil
23/07/2008 - 16h29

Lei sobre busca e apreensão em escritórios de advogados opõe juízes e OAB

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Sem alarde, o plenário do Senado aprovou no início de julho projeto de lei que torna invioláveis os escritórios de advocacia do país. O texto, que modifica o estatuto da advocacia brasileiro, estabelece que escritórios de advogados não podem mais ser alvo de busca e apreensão mesmo que por ordem judicial. A lei também veta a utilização dos documentos e objetos de clientes do advogado investigado, assim como outros instrumentos de trabalho que reúnam informações sobre os clientes.

O projeto foi encaminhado à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira. Se o presidente não vetar o projeto, os escritórios de advocacia não poderão mais ser alvo de mandatos de busca e apreensão em operações policiais --como freqüentemente ocorre em operações da Polícia Federal.

O projeto foi aprovado pelos senadores em um mutirão realizado no plenário do Senado no dia 9 de julho, antes do recesso parlamentar. Para adiantar o início das férias, os senadores aprovaram mais de 20 matérias até a madrugada --entre elas o projeto que torna invioláveis os escritórios de advocacia.

O texto prevê a quebra da inviolabilidade dos escritórios se houver indícios da prática de crime por parte do advogado. A Justiça, no entanto, deverá expedir mandado de busca e apreensão que deve ser cumprido na presença de um representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Contrárias à mudança, associações de juízes federais, procuradores da República e de membros do Ministério Público argumentam que a lei permite que advogados ocultem indícios de crimes cometidos pelos clientes dos advogados ---uma vez que os escritórios se tornam invioláveis.

Em nota conjunta, a Ajufe (Associação dos Juízes Federal do Brasil), a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e o Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público) argumentam que a lei fere a Constituição Federal.

"Não poderiam ser decretadas a busca e a apreensão em escritório de advogado mesmo se surgissem indícios veementes de que o local estaria sendo utilizado para ocultar a arma, um revólver ou uma faca, utilizada para a prática de um homicídio", argumentam as entidades.

A OAB, em contrapartida, sustenta que a mudança garante o sigilo na relação entre o cliente e o seu advogado --uma vez que impede que os instrumentos de trabalho do advogado sejam usados para a acusação dos seus clientes.

"Permitir que o estado-polícia, o estado-ministério público e o estado-juiz espionem, vasculhem, invadam e destruam a defesa é fortalecer a lógica autoritária que a Constituição Federal expressamente revogou há vinte anos. Querer revogar o direito de defesa sob a ótica de que alguns advogados cometem deslizes éticos é o mesmo que querer acabar com a vitaliciedade da magistratura porque alguns magistrados compactuam com a corrupção", disse o presidente nacional da OAB, César Britto.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (356) 25/06/2009 15h46
Igor Bevilaqua (356) 25/06/2009 15h46
Em se tratando de "JUSTIÇA" no (B)brasil..., tudo é possível..., até "autoridades" de duvidosa conduta..., julgar e condenar quem cumpre a risca e com honestidade seu dever.
Ps: No (B)brasil você trabalhar ou cumprir missões com "HONESTIDADE" é perigoso..., você vai ser acusado e indiciado, vai perder o emprego no estado e se possível vai ser condenado, lembrem-se que este é o país dos bandidos.
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Rui Ruz Caputi Caputi (1350) 25/06/2009 14h02
Rui Ruz Caputi Caputi (1350) 25/06/2009 14h02
Não existirá juíz nesse imenso Brasil que possa condenar o Protógenes se o seu senso de justiça e cidadania estiver em harmonia com o povo brasileiro. 1 opinião
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Tito Oliv (129) 25/06/2009 13h39
Tito Oliv (129) 25/06/2009 13h39
Sob suspeita está o juiz Mazloun e com condenação quase certa. O caso, já um pouco antigo, está em julgamento. Já são 4 votos por remoção e um por repreensão. Punição haverá. Motivo: favorecimento de reu. Parece, talvez até pela demora do julgamento - 4 anos, que Mazloun se sentia intocável. Permitir a Daniel Dantas participar da acusação é o mesmo que privatizar a Justiça. Atenta contra uma das mais características do Estado e do "estado de Direito", este último invocado pelo próprio Mazlon, dias atrás, quando alegou que o processo e a condenação eram "perseguição política". Bem apropriado. Se Protógenes errou deve ser punido, mas não linchado moralmente como está sendo. Nem mesmos os PM acusados de matar uma mulher no Rio de Janeiro estão tendo o mesmo tratamento. O pedido de Dantas é por vingança. Acostumado a viver à sombra do poder, hábito que começou com Collor e teve seu auge com FHC, lesou o que pode dos fundos de pensão - poupança feita com dinheiro de trabalhadores assalariados e do Tesouro -, vivendo hoje à "tripa forra" em um país de pobres. O que levou na intermediação da privatização das telefônicas é mais do que o Senado desperdiça por ano. Algo em torno de R$3000.000.000,00. Por baixo. Este dinheiro recuperaria toda a malha viária federal. sem opinião
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