Brasil
23/07/2008 - 17h18

Defesa questiona cumprimento de acordo que resultou na extradição de Cacciola

da Folha Online

A defesa de Salvatore Cacciola questionou na Justiça de Mônaco o cumprimento do acordo que resultou na extradição do ex-banqueiro do principado para o Brasil na semana passada. Os advogados argumentam que ele não pode responder a nenhum outro processo criminal no Brasil diferente do que originou a extradição.

Segundo o advogado Carlos Ely Eluf, Cacciola foi intimado pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro para se apresentar juízo. Nesse processo, o ex-banqueiro responde por crimes contra o sistema financeiro.

Porém, pelo acordo que resultou na extradição, o ex-banqueiro poderá responder somente pelo processo que tramita na 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, no qual responde pelo crime de gestão fraudulenta.

"Isso [responder a outro processo] não faz parte do acordo de extradição. Ele foi extraditado sob condições, como não responder a nenhum outro processo criminal além do que deu origem à extradição", afirmou o advogado.

Eluf explicou que o advogado Frank Michel, que defende Cacciola em Mônaco, juntou cópia da intimação à petição apresentada à Justiça do principado. Segundo Eluf, a Procuradoria Geral de Mônaco já interpelou o governo brasileiro por meio da embaixada do Brasil em Paris.

A assessoria do Ministério da Justiça disse que o governo brasileiro ainda não recebeu nenhuma notificação sobre o questionamento feito pela defesa de Cacciola em Mônaco.

Arquivamento

Para evitar que Cacciola responda a outros processos diferentes do previsto no acordo de extradição, a defesa do banqueiro também vai pedir o arquivamento de dois dos três processos que existem na Justiça Federal contra o ex-banqueiro.

Além dos processos que tramitam na 5ª e na 6ª varas, Cacciola também responde a processo na 2ª Vara Criminal Federal do Rio, por emissão de debentures sem lastro.

A defesa também pediu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) a liberdade de Cacciola, que cumpre prisão preventiva em Bangu 8. Os advogados argumentam que o ex-banqueiro já está preso há 11 meses e tem mais de 60 anos. Também argumentam que seu cliente é réu primário.

Extradição

Salvatore Cacciola chegou ao Brasil na última quinta-feira (17) após ser extraditado de Mônaco, onde estava preso desde setembro do ano passado. Ele desembarcou no Rio de Janeiro e foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde concedeu entrevista.

Cacciola afirmou que nunca foi um foragido da Justiça. "A primeira coisa é que eu nunca fui um foragido. Fui para a Itália com passaporte carimbado", disse.

Ele afirmou ainda estar "tranqüilo" e confiante na Justiça. Cacciola destacou que dez outras pessoas condenadas no mesmo processo estão livres e trabalhando. "A única diferença é que eu estava na Itália."

Cacciola foi inicialmente levado para o presídio Ary Franco, em Água Santa (zona norte do Rio). Como não havia cela especial, o ex-banqueiro foi transferido para Bangu 8, onde divide cela com outros 32 presos com nível superior.

O procurador da República no Rio de Janeiro Artur Gueiros, responsável pelo caso Cacciola, contestou a declaração do ex-banqueiro e disse que ele deveria ser considerado foragido porque respondia a processo por "crimes graves" e não podia deixar o país sem autorização judicial.

Condenado à revelia no Brasil a 13 anos de prisão pela prática de vários crimes, Cacciola foi preso em Mônaco enquanto passava um final de semana de lazer, longe da Itália --país do qual tem a nacionalidade e de onde não poderia ser extraditado para o Brasil em decorrência de acordos diplomáticos.

Entenda o caso

Em 1999, o banco Marka quebrou com a desvalorização cambial. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar.

O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.

O Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma "crise sistêmica" no mercado financeiro.

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão.

O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.

Em 18 de setembro do ano passado, a juíza federal Simone Schreiber, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro.

Na sentença, concedida a pedido do Ministério Público Federal, a juíza determina não só a expedição do mandado de prisão contra Cacciola, como manda informar o Ministério da Justiça do interesse na extradição do ex-banqueiro para o Brasil.

Comentários dos leitores
AGUINALDO VENANCIO (1021) 26/08/2008 22h13
AGUINALDO VENANCIO (1021) 26/08/2008 22h13
BEM PIOR QUE PRESO ENCOMENDAR, SE E QUE ENCOMENDOU, LAGOSTA OU SEJA LA O QUE FOR , É
UM PAÍS ESTAR ATOLADO EM UMA EPIDEMIA DE CORRUPÇÃO, EM QUE OS PLANOS ASSISTENCILISTAS-ELEITOREIO-BARATOS (BARATO ,O MODO DE FALAR POIS CUSTA CARO À SOCIEDADE QUE PRODUZ RIQUEZA NO BRASIL)...
ME ESPANTO COM A CARA-DE-PAU, ...
DOS QUE ESCONDEM DOLAR NA CUECA....DOS QUE PEDEM INFORMAÇÕES SIGILOSAS DO GOVERNO PARA BENEFICIO DE AMIGOS E CLIENTES, CARTOES CORPORATIVOS USADOS DE MANEIRA INDECENTE,
A EDUCAÇÃO, ETC, ETV, ETC.,..
ENCOMENDAR LAGOS TA E CAMARAO , ESTARIA MUITO LONGE DE SER ESCANDALO PIOR QUE OS ESCÂNDALOS DIARIOS E INTEMINAVEIS...
VAMOS ACORDAR...
KD A MARMOTA???
MARMOTA=OPOSIÇÃO - DORME , PELO MENOS 7 MESES POR ANO...
SOCCOORROOO!
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Ricardo Jordão (54) 26/08/2008 14h46
Ricardo Jordão (54) 26/08/2008 14h46
Engraçado é que eu já comentava o pedido de habeas corpus do Dantas há tempos aqui, e também comentei o quão ilegal fo a sua soltura em tempo recorde. Pois bem, aí está a prova cabal disso, vários juízes inclusive 2 do supremo ; Joaquim Barbosa & Ayres Brito já falaram que a soltura tem ares de ilegalidade á que Gilmar Mendes, o fanfarrao, liverou dantas sem ter o processo completo em mãos, faltand nada mais do que as 4 páginas finais do processo, once a sentença realmente se fazia cumprir, e mesmo sabendo disso Mendes passou por cima de outras instâncias para soltar o apadrinhado do Dantas. Eu já achava essa história absurda antes, agora então nem se fala, pois se os próprios juízes do STF estão em clima de guerra, é porque algo de errado e bem excuso foi feito.... deixem a PF trabalhar e vamos começar a prender os pilantras de colarinho branco. Tudo bem que no Brasil há um facilidade incrível para a corrupção mas isso não quer dizer que devamos ceder à ela. Tem que colocar na cadeia sim, agora até lagosta os safados comem, e com se isos não fosse prática antiga no Brasil, esmagar quem trabalha e é honesto e encher de benesses quem corrompe e rouba do erário (no final das contas, nós). ACORDA BRASIL!!!!! 1 opinião
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Antonio Fouto Dias (1603) 26/08/2008 02h06
Antonio Fouto Dias (1603) 26/08/2008 02h06
No contexto do habeas corpus solicitado por Cacciola, não há muito o que comentar, somente que a desembargadora que o negou agiu corretamente e que todos os desembargadores do STD e até mesmo ministros do STF deveriam seguir nessa linha, pois como vem sendo manifestado as decisões judiciais ultimamente, colarinho branco sempre conseguiram o que requereram.
Exemplo claro do que estou registrando, refere-se à notícia de que o Ministério Público está solicitando novamente a prisão de Daniel Dantas o que não acredito que aconteça, diante das decisões já tomadas sobre o assunto.
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