Gilberto Gil quer deixar governo no segundo semestre
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Gilberto Gil (Cultura) examina a possibilidade de deixar o governo federal, no segundo semestre, em meio às dificuldades que enfrenta para conciliar sua agenda política com a carreira artística, apurou a Folha Online. Depois de ficar um mês afastado do governo, em férias, Gil deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o assunto.
O ministro ainda não tomou a decisão definitiva de deixar o cargo. A Folha Online apurou que o presidente trabalha para mantê-lo no governo, pois gosta de Gil e o considera uma espécie de embaixador do Brasil no exterior.
Em seu período longe do governo, Gil fez uma série de apresentações em sete países a começar pelo Marrocos, depois Suíça, Itália, Finlândia, França, Espanha e por, último, Portugal.
Apesar de analisar a hipótese de sair do governo, Gil retorna às atividades políticas na próxima quarta-feira (30). Já confirmou presença em um seminário que trata de direitos autorais, no Rio de Janeiro.
Mesmo sem a definição se deixará o ministério, Gil está cercado por uma série de especulações em torno de possíveis candidatos à sua sucessão. Há nomes de intelectuais e de assessores ligados a ele diretamente.
De acordo com políticos que acompanham as negociações, estariam no páreo o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) e integrante da ABL (Academia Brasileira de Letras), Marcos Vilaça; a filósofa Marilena Chauí, e o atual ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, entre outros.
Divergências
Internamente, interlocutores de Gil negam que ele tenha de administrar divergências envolvendo os secretários Juca Ferreira (executivo) e Sérgio Mamberti (Identidade e Diversidade Cultural). Essas supostas divergências seriam um dos aspectos que contribuiria para o ministro examinar sua saída do governo.
Mamberti substituiu Ferreira na reunião, realizada na última segunda-feira em Brasília, quando o presidente Lula detalhou os programas sociais e culturais do governo. De acordo com assessores, a substituição ocorreu porque Ferreira estava afastado por uma semana do Ministério da Cultura.
Interlocutores de Gil afirmam ainda que ele sente necessidade de se dedicar mais à sua produção artística. O ministro não lançou músicas inéditas desde que assumiu o cargo, mas colocou à disposição, gratuitamente, no seu site um clip caseiro com sua nova composição --"Banda Larga Cordel".
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