Jungmann pede para PF investigar ação de milícias na campanha eleitoral do Rio
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, pediu nesta quinta-feira a intervenção da Polícia Federal para fiscalizar a atuação de milícias em campanhas eleitorais no Rio de Janeiro. O parlamentar se reuniu hoje com o diretor-geral interino da PF, Romero Menezes, para discutir a atuação dos grupos milicianos em morros da capital fluminense.
Jungmann afirma que candidatos vêm sendo impedidos de realizar campanhas eleitorais nos morros controlados por milícias, com ameaças de morte por parte dos grupos armados. "Não podemos permitir que um milhão de brasileiros fiquem reféns políticos sem poder eleger seus representantes. A Polícia Federal precisa tomar providências para ajudar o Rio a sair dessa situação", disse o deputado.
O parlamentar afirmou que, além de impedir campanhas eleitorais, as milícias controlam obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em favelas como a Rocinha e o Complexo do Alemão com o objetivo de eleger seus candidatos nas comunidades. "O crime, o tráfico, são de tamanha dimensão no Rio de Janeiro que não podem ser enfrentados, isoladamente, por nenhum dos atores que cuidam da segurança. É preciso um pacto, uma coalizão pela liberdade."
Segundo o deputado, Menezes vai encaminhar seu pedido à área de inteligência da Polícia Federal. Jungmann argumenta que a coação de eleitores e a falta de igualdade de condições para que os candidatos disputem as eleições são comportamentos que ferem a lei, por isso precisam ser investigados pela PF.
"No caso da Rocinha, o traficante Nem, e no caso do Complexo do Alemão, o Jorginho, líder comunitário que tem ligações com o tráfico, estariam fechando essas comunidades, essas favelas, impondo-se como candidatos e como tal passariam a ter um poder derivado do controle das obras do PAC nas duas localidades, o que é da maior gravidade", afirmou Jungmann.
O deputado disse que vai entrar em contato com os candidatos à prefeitura do Rio para pedir que não aceitem apoio do tráfico e de milícias em suas campanhas. "O Rio de Janeiro precisa de liberdade sobretudo política para superar a situação em que se encontra", afirmou.
Denúncias
Segundo denúncias anônimas recebidas pela PF, grupos de milicianos estariam impedindo candidatos de fazer campanhas em favelas da cidade para beneficiar concorrentes locais. O superintendente da PF no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, disse que a Delegacia de Defesa Institucional está fazendo levantamento de dados, mas ainda não identificou os grupos que estariam por trás do suposto esquema para proibir campanhas em favelas da cidade.
As 20 denúncias anônimas recebidas pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio foram encaminhadas à PF, que prometeu dar início à investigação. Além das denúncias anônimas, candidatos já começam a relatar dificuldades em fazer campanha no Rio em conseqüência da atuação das milícias.
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SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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