Justiça proíbe candidato-cantor de se apresentar em shows sertanejos
RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Campo Grande
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso proibiu o candidato do PP à Prefeitura de Cuiabá, Wálter Rabello, de continuar se apresentando como cantor em shows pela cidade. Enquanto estiver em campanha, o candidato --que tem registro como músico profissional e integra uma dupla sertaneja-- não poderá nem sequer subir em palcos de outros músicos.
"É incontroverso que a realização de evento assemelhado a showmício para a promoção de candidaturas [...] constitui conduta vedada", disse a juíza Maria Aparecida Ribeiro, da 1ª Zona Eleitoral, em seu despacho.
"Não desnatura esse quadro o fato de o representado ser um dos componentes de uma banda e, ainda, fazer dupla com outros cantores", afirmou a juíza.
Rabello, que teve o mandato de deputado estadual cassado em maio por infidelidade partidária --foi eleito pelo PMDB--, alega que os shows são hoje a sua principal fonte de renda e que a proibição vai prejudicar uma agenda de apresentações já marcadas com o companheiro de dupla, Odair Júnior. "Estamos gravando o quarto CD, acústico", disse o candidato.
A representação contra as performances do candidato foi feita pelo diretório municipal do PT, logo após uma reunião com os candidatos convocada pelo Ministério Público Eleitoral, no dia 13. À ocasião, o entendimento dos procuradores foi que, por ter o registro profissional, Rabello poderia manter sua agenda de shows, desde que não fizesse nenhuma menção, nestes eventos, à campanha eleitoral.
Para o presidente do diretório petista, Vilson Aguiar, a manutenção deste ponto de vista criaria uma vantagem indevida ao candidato. "Todo partido tem seus artistas, mas a regra é uma só e tem de valer para todos. Se ele sobe num palco e se apresenta, faz festa, gritam o seu nome, como é que isso não vai favorecer sua campanha?"
Rabello nega que tenha tirado proveito de sua condição. "Ninguém pede para o candidato a reeleição deixar de ser prefeito, para o médico deixar de ser médico", disse o candidato, que anunciou que pretende recorrer da decisão. "Não concordo com a proibição, mas não critico a Justiça. O que me assusta é um partido dos trabalhadores lutar para que alguém fique sem trabalho."
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