Candidaturas de esquerda disputam segundo lugar em Porto Alegre
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
Com trajetórias políticas construídas na militância em movimentos populares de esquerda, as deputadas federais Maria do Rosário (PT) e Manuela D'Ávila (PC do B) travam, entre si, uma disputa acirrada pelo segundo lugar na corrida eleitoral de Porto Alegre --elas têm 20% e 18% das intenções de votos, respectivamente, segundo o Datafolha.
A fragmentação dos partidos de esquerda em várias candidaturas ocorre pela primeira primeira vez desde 1988, quando o PT venceu a eleição e iniciou uma hegemonia na capital gaúcha que só seria quebrada em 2004, com a vitória do atual prefeito José Fogaça (PMDB).
O peemedebista, candidato à reeleição, lidera a pesquisa, com 29% das intenções de voto. Com 4m48 de tempo de TV, Manuela só terá 10 segundos a mais que a petista.
Por causa das similaridades entre ambas, Maria do Rosário e Manuela traçam estratégias de campanha bastante distintas para tentar se diferenciar diante do eleitor.
A petista trabalha para colar sua candidatura à popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em todos os discursos ou entrevistas que dá, Maria do Rosário cita o presidente ou ações do governo federal.
Sua estratégia ganhará um reforço substancial, espera ela, com a participação ativa de ministros petistas na sua campanha --entre elas, Dilma Rousseff (Casa Civil), orientada pelo presidente a só atuar na campanha do Rio Grande do Sul.
A divergência com a ministra --surgida durante a prévia petista, quando Dilma expressou preferência pela escolha do ex-ministro Miguel Rossetto com candidato do partido em Porto Alegre-- parece ter sido superada. Em 1º de agosto, Dilma deve participar do ato de lançamento da campanha de Maria do Rosário.
"Isso [os ministros na campanha] indica essencialmente que temos uma articulação nacional mais do que as outras candidaturas e isso é importante para Porto Alegre", disse Maria do Rosário, 41, à Folha.
Manuela D'Ávila procura chegar ao segundo turno com o apoio de uma aliança de sete partidos --que inclui, além de aliados do PT em outras eleições, como o PSB, também legendas que fazem parte da administração da governadora Yeda Crusius (PSDB) e de José Fogaça, como o PPS.
As manifestações de Manuela no início da campanha indicam a intenção de se consolidar como uma terceira via. Ela tem usado repetidamente a expressão "falso dilema" para designar a polaridade entre PMDB e PT.
"A nossa proposta é para quem quer algo novo. Estamos dialogando com a cidade como um todo, e não com um determinado conjunto de eleitores."
Também disputam a prefeitura Luciana Genro (PSOL), Onyx Lorenzoni (DEM), Nelson Marchezan Júnior (PSDB), Vera Guasso (PSTU) e Paulo Rogowski (PHS).
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