Com pouco espaço na TV, "nanicos" apostam na internet para conquistar eleitores
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
A menos de um mês para o início da propaganda eleitoral gratuita na rádio e na televisão --que começa no dia 19 de agosto-- os candidatos à Prefeitura de São Paulo já gravam suas aparições e apostam na divulgação na mídia para "esquentar" a campanha eleitoral. Serão 60 minutos de propaganda diária, divididos em dois blocos de meia hora cada.
Parece muito, mas alguns candidatos têm apenas poucos minutos para conquistar o voto do eleitor. Para fazer o tempo valer a pena, os chamados "nanicos" apostam na referência aos seus sites de campanha, onde os eleitores têm acesso irrestrito às propostas de cada candidato.
"O desafio é conseguir concisão em pouco tempo, sem deixar o discurso vazio, mostrando que aquilo é só um pouco das propostas. A idéia é atrair o público para o site", diz Maurício Huertas, secretário de Comunicação do PPS e coordenador de Comunicação da campanha de Soninha Francine (PPS).
Com experiência em TV --Soninha ficou conhecida quando foi VJ da MTV-- a candidata deve ter cerca de dois minutos na TV e no rádio, além dos spots ao longo do dia, distribuídos igualitariamente entre todos os candidatos. Segundo Huertas, apesar do espaço curto, a candidata têm dedicado uma média de 4 horas diárias para a gravação dos programas. O objetivo é deixar 18 programas prontos até o início da campanha na TV, que deve custar cerca de R$ 150 mil à chapa.
YouTube
A internet é a aposta também do candidato a prefeito Edmilson Costa (PCB). Segundo Edmilson, que deve ter menos de 1 minuto na TV e na rádio, a chapa pretende montar "minisséries" temáticas com as propostas do partido para colocar no portal de compartilhamento de vídeos YouTube.
"A internet vai ser uma ferramenta muito importante para a disseminação das nossas propostas. Também pretendemos explorar o YouTube, mas sem sair da legalidade eleitoral", afirmou o candidato, que espera atingir sobretudo "formadores de opinião".
De acordo com Edmilson, as gravações devem começar na próxima semana, mas 80% do roteiro e a trilha sonora já estão prontos. O candidato escolheu um jazz instrumental para o fundo musical de seu programa na TV, que deve custar entre R$ 10 mil a R$ 20 mil reais.
Voluntariado
Com cerca de 3 minutos distribuídos ao longo do dia na TV, a coligação do deputado federal e candidato Ivan Valente (PSOL) conta com voluntários para a produção dos programas, entre designers, jornalistas e outros profissionais de comunicação. Segundo Pedro dos Santos Ekman Simões, coordenador de comunicação da campanha de Valente, o cenário usado será a casa de uma militante, e a câmera e o computador utilizados para a edição foram doados para a campanha.
Além das gravações em estúdio, o candidato já grava imagens nas ruas, que já estão disponíveis no site. "O tempo é muito restrito [na TV e na rádio], e é muito pouco provável que vamos conseguir marcar nossas posições neste espaço de tempo. Por outro lado, é o máximo de tempo que jamais tivemos, então é uma oportunidade única", disse.
De acordo com Simões, os programas também devem remeter ao site do candidato, que também foi construído por um voluntário. "A internet vai ajudar a qualificar mais o nosso discurso", completou.
Formado em jornalismo e publicidade, o candidato Levy Fidelix (PRTB) aposta no seu know-how e nas "idéias inovadoras" para atrair a atenção dos eleitores nos poucos segundos que terá na TV. Porém, ele destaca que a mídia não será seu único instrumento de campanha. "Vamos usar o máximo possível de força na internet, mas também vamos colocar a militância nas ruas, fazer comícios, carreatas. [...] A criatividade supera a limitação [de tempo]", aposta.
Mensagem
Com 8% das intenções de voto, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) é também o candidato com o maior índice de rejeição entre o eleitorado paulistano (56%), segundo a última pesquisa Datafolha. Para tentar reverter este quadro, José Nivaldo Júnior e Marcelo Teixeira --marqueteiros responsáveis pela campanha de Maluf-- devem explorar as imagens de rua durante os quase 3 minutos que terão direito a cada programa.
"A idéia é mostrar a receptividade que as pessoas tem na rua. A pesquisa mostra um alto índice de rejeição, mas na rua isso é diferente", afirma José Nivaldo. Segundo o produtor, como a legislação eleitoral traz algumas restrições quanto ao uso da internet, ainda não é possível avaliar os impactos da ferramenta para a campanha. "Mas eu acredito que com o correr das semanas, a juventude vai acompanhar as eleições pela internet", disse.
Já a coordenação de campanha da candidata Anaí Caproni (PCO), que deverá utilizar a infra-estrutura do partido para a produção dos programas, pretende transmitir --no curtíssimo tempo que terá-- a mensagem de oposição à "política atual".
Segundo o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral), no próximo dia 8 de agosto o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo deverá se reunir com os coordenadores de campanha para divulgar o tempo que cada candidato terá na televisão e na rádio, além das regras e recomendações para a propaganda eleitoral gratuita. A reportagem não conseguiu o contato com os candidatos Renato Reichmann (PMN) e com Ciro Moura (PTC).
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