Ministro diz que "celular é rádio comunitária" e indica preocupação com grampos
YALA SENA
colaboração para a Agência Folha, em Teresina
O ministro José Múcio (Relações Institucionais) se mostrou preocupado com o aumento de grampos telefônicos. "Eu tenho a impressão de que meu celular é uma rádio comunitária, em que falo com uma pessoa e várias outras estão ouvindo", disse o ministro em evento em Teresina (PI), de que participaram governadores do Nordeste.
Na quinta-feira, o ministro Tarso Genro (Justiça) já havia falado que os cidadãos precisam se "acostumar" com a idéia de que podem estar sendo grampeados. "Estamos chegando a um ponto em que temos de nos acostumar com o seguinte: falar no telefone com a presunção de que alguém está escutando", disse, em tom de brincadeira, ao responder a uma pergunta durante uma reunião com advogados no Rio.
No evento com governadores, Múcio defendeu a aprovação de uma lei para punir responsáveis por grampos clandestinos. Ele disse que o assunto atinge e preocupa o governo federal e afirmou que a preocupação pode ser exagerada. "Mas é melhor pensar assim e tomar as precauções, do que exceder na confiança."
"É um crime, mas ainda não existem sanções para isso", comentou o ministro, ao declarar, sem citar possíveis vítimas, que o governo está enfrentando problemas com grampos clandestinos e que apóia o projeto de lei sobre o assunto. "O Executivo tem interesse sobre isso. Na volta do Congresso, vamos dar celeridade ao projeto".
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito já investiga a prática de grampos ilegais no país.
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