PF está à disposição da Justiça Eleitoral para reforçar segurança no Rio, diz Tarso
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse nesta segunda-feira que a Polícia Federal está "à disposição" da Justiça Eleitoral para reforçar a segurança na disputa municipal no Rio de Janeiro. O ministro reiterou, no entanto, que os policiais só podem ser enviados para o Estado se houver solicitação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para a criação de uma "força-tarefa" de reforço da segurança na capital fluminense.
Tarso vai participar de reunião, na quarta-feira, com o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, e do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro, Roberto Wider, para discutir o envio de policiais federais ao Estado. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também participa do encontro.
"Já disse a ele [Ayres Britto] que, a depender da convocação dele, da formação de grupo tarefa, da assinatura ou não de documento que normatize a nossa intervenção, que a Polícia Federal está à disposição se for chamada pelo tribunal para prestar o serviço que for necessário para a tranqüilidade da ação política dos partidos no Rio de Janeiro, em todo o território", disse Tarso.
Britto afirmou, nesta segunda-feira, que não descarta pedir o apoio da Polícia Federal para garantir a tranqüilidade nas eleições municipais do Estado, mas quer primeiro discutir a situação com o presidente do TRE-RJ. Os dois representantes da Justiça Eleitoral vão discutir com Tarso e Corrêa alternativas para evitar que candidatos sejam constrangidos por milícias ou traficantes em campanhas no Estado.
"Vamos discutir a possibilidade de uma força-tarefa no Rio de Janeiro depois da conversa com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Um segmento fora da lei [tráfico e milícias] projeta sua influência institucional tentando se representar na esfera de poder. Não é um cenário de colônia, mas é preocupante", afirmou Britto.
Além do apoio de milícias e traficantes a candidatos no Rio, o presidente do TSE se mostrou preocupado com ações desses grupos que impedem a realização de campanhas eleitorais de candidatos adversários em localidades na capital fluminense. Segundo denúncias anônimas recebidas pela PF, grupos de milicianos estariam impedindo candidatos de fazer campanhas em favelas da cidade para beneficiar concorrentes locais.
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que a idéia de usar a Força Nacional de Segurança nas eleições municipais é bem-vinda, mas ressaltou que o pedido deve partir da Justiça Eleitoral.
"Essa determinação de solicitar a força-tarefa não cabe ao governo estadual, cabe ao TSE ou ao TRE. Se a autoridade eleitoral [TRE e TSE] avaliar que há necessidade de convocar uma força-tarefa, da minha parte não há nenhum problema", afirmou. "Tudo o que vier para somar e dar tranqüilidade é bem-vindo", disse o governador.
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