TRE-RJ descarta pedir ajuda da Força Nacional de Segurança e teme politização da violência
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
O presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio, desembargador Roberto Wider, descartou hoje solicitar de imediato a ajuda da Força Nacional de Segurança para reforçar a segurança do processo eleitoral do Estado. A idéia foi defendida hoje pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) e pelo candidato a prefeito da cidade, Marcelo Crivella (PRB).
"Há problemas reais e problemas noticiados. Por isso vamos fazer uma apuração para ter elementos concretos e saber o que fazer a partir do TRE", disse Wider.
Segundo ele, um pedido de ajuda só poderá ser feito após a realização de um levantamento sobre os problemas relacionados à ação de milícias contra candidaturas no Rio. "A coisa não caminha por aí [fazer o pedido de reforço imediatamente]. Estou em contato com presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto] e nós convencionamos de fazer um levantamento no Rio em relação aos problemas efetivos."
Wider disse que teme a politização da violência nas campanhas eleitorais e a exploração dela pelos candidatos. "Acho que temos que avaliar com cuidado. Acabei de conversar com governador [do Rio, Sérgio Cabral (PMDB] e marcamos reunião para amanhã, às 15h, com todas as autoridades de segurança do Rio."
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse nesta segunda-feira que é necessário um pedido oficial do governo do Rio ou do TRE-RJ para determinar que a Força Nacional de Segurança ou a Polícia Federal dêem suporte aos candidatos a prefeito e vereador no Rio. "No Rio de Janeiro nós temos a insegurança já transgredindo para a questão eleitoral", afirmou Tarso.
Cabral disse que a idéia de usar a Força Nacional de Segurança é "bem-vinda", mas o pedido deve ser feito pela Justiça Eleitoral. "Essa determinação de solicitar a força-tarefa não cabe ao governo estadual, cabe ao TSE ou ao TRE. Se a autoridade eleitoral [TRE e TSE] avaliar que há necessidade de convocar uma força-tarefa, da minha parte não há nenhum problema", afirmou. "Tudo o que vier para somar e dar tranqüilidade é bem-vindo".
Denúncias
O presidente do TRE disse que a instituição recebeu denúncias anônimas sobre ações intimidatórias contra candidatos adversários em sete comunidades do Rio.
De acordo com ele, as denúncia sobre milícias atingem Rio das Pedras, Carobinha, Santa Cruz e Jacarepaguá. Já o tráfico estaria agindo na Rocinha, Vila Cruzeiro e Vidigal.
Pelas denúncias, diz Wider, lideranças dessas comunidades estão fazendo campanha para determinados candidatos e impedindo outros de entrar nos locais para pedir votos aos moradores.
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