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Brasil
29/07/2008 - 08h45

Subprefeitos se esquivam de comentar e-mail de Kassab

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ANA FLOR
RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo

Destinatários do e-mail em que Gilberto Kassab (DEM) orienta ações para influenciar pesquisa do Datafolha, subprefeitos de São Paulo ouvidos ontem se esquivaram e deram versões distintas para o episódio, que é motivo de pedido de cassação da candidatura do democrata na Justiça Eleitoral.

Dos 17 subprefeitos contatados pela Folha, 11 disseram não ter recebido a mensagem, recorrendo a justificativas como "e-mail desativado" ou falta de acesso às suas caixas postais eletrônicas --outros nove não responderam à reportagem.

"Eu não recebi. Acontece que eu quase não abro o meu e-mail particular porque só recebo propaganda. Nunca recebi comunicações do prefeito por e-mail", disse o subprefeito da Vila Maria e da Vila Guilherme, Antonio de Pádua Perosa.

Dos 6 que admitiram ter recebido a mensagem, 4 alegaram ter lido o e-mail depois que a pesquisa já havia sido realizada. "Eu estou acessando minha caixa postal agora, deixa eu ver se entrou", afirmou o subprefeito da Freguesia do Ó/ Brasilândia, Milton Roberto Persoli, ao receber o telefonema da Folha.

Dois desses disseram ter ignorado a orientação. Todos eles negam que tenham usado a máquina pública para tentar influenciar a pesquisa.

A mensagem obtida pela Folha mostra que o prefeito usou seu próprio endereço de e-mail para se comunicar com os subprefeitos, na quarta-feira. De acordo com o texto, há indicação de que Kassab tentava influenciar as áreas onde eram coletadas informações da última pesquisa Datafolha sobre a sucessão em São Paulo.

Divulgada na noite de quinta-feira, a pesquisa mostrou Kassab em terceiro lugar, com 11% das intenções de voto. À frente, tecnicamente empatados, estão Marta Suplicy (PT), com 36%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 32%.

O levantamento do Datafolha foi realizado em 23 e 24 de julho. Foram ouvidas 1.099 pessoas. A mensagem que o prefeito confirma ter enviado aos subprefeitos foi encaminhada no final do primeiro dia de trabalho de campo dos entrevistadores do instituto.

O e-mail, no qual Kassab indica que uma "ação" deveria ser feita no dia seguinte, quando os pontos de entrevista fossem identificados, dá a entender que um movimento semelhante pode ter ocorrido no primeiro dia de pesquisa.

Entre a pesquisa anterior do Datafolha, nos dias 3 e 4 deste mês, e essa, Kassab oscilou negativamente dois pontos percentuais, e está tecnicamente empatado com o quarto colocado, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que se mantém com 8%. A variação da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Justificativas

Os subprefeitos utilizaram explicações diversas para justificar o fato de terem ignorado a orientação contida na mensagem. Enquanto alguns disseram ter lido o e-mail depois de a pesquisa ter sido feita --por "não lerem e-mail particular", porque o e-mail é aberto por assessores ou por ser o e-mail errado--, houve subprefeito que "não se recordava" se tinha recebido ou não a mensagem de Kassab, ou que alegava que "não se comunica" com o prefeito de São Paulo.

Alguns subprefeitos deram as mesmas explicações de Kassab, dizendo que a orientação era para não deixar que outros partidos atrapalhassem a realização da pesquisa. "A gente foi orientado para não deixar o PT tumultuar", disse Beto Mendes, de Cidade Ademar. Entre os que admitiram haver orientação do prefeito, o argumento foi o de que era necessário "preservar", "ter domínio sobre essas áreas" e evitar "desordem".

A mensagem pode custar ao atual prefeito sua candidatura, que corre o risco de ser cassada. O PSOL e a coligação da candidatura de Marta Suplicy (PT) entraram na Justiça Eleitoral com pedido de cassação do registro de Kassab e sua inelegibilidade até 2011.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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