Gil deixa governo para se dedicar à música e compara sua gestão com música "Refazenda"
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Ao pedir demissão nesta quarta-feira, o ministro Gilberto Gil (Cultura) alegou incompatibilidade em associar sua agenda política com a pessoal, familiar e artística. Sorridente, Gil disse que a música que melhor define seus cinco anos e meio no governo é "Refazenda".
Com elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro lamentou apenas não ter conseguido elevar o Orçamento de 1% destinado à cultura no país. "O governo do presidente Lula tem a capacidade de fazer o país compreender a transformação", disse Gil após reunião com Lula, no Palácio do Planalto.
| 30.jul.2007/Folha Imagem |
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| Gilberto Gil deixa Ministério da Cultura e oferece música "Refazenda" para Lula |
Para comparar seu governo com uma música, Gil citou "Refazenda". "É a música 'Refazenda'. É Refazenda, que por acaso em algum momento se refere ao Planalto Central, às pragas planaltinas. O governo do presidente Lula é uma refazenda extraordinária", disse ele. "Amanhã será tomate, anoitecerá mamão", cantarolou Gil.
Em seguida, ele disse que cederia a música para Lula. "Eu cederia Refazenda como jingle [para o presidente Lula]", afirmou ele, dando uma gargalhada em seguida.
A entrevista coletiva de Gil foi acompanhada por sua mulher, Flora, que veio com ele do Rio. Bem-humorado, o ex-ministro brincou que esta era a terceira vez que pedia demissão do cargo e Lula insistia para ele continuar. "Desta vez eu disse ao presidente: 'estava 2 a 0 para o senhor, mas agora eu é que fiz o gol", disse ele.
Temporariamente no lugar de Gil ficará o atual secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira. Ferreira é ligado ao Partido Verde. Na ausência de Gil, ele é que o representava nas reuniões ministeriais.
Lula e Gil conversaram por cerca de uma hora e meia, no Palácio do Planalto. A mulher do ministro, Flora Gil, acompanhou parte da reunião. O ex-ministro disse que não se sentiu pressionado a deixar o governo nem incomodou-se com as críticas de que estaria dando mais atenção à vida artística do que a política.
"Não me incomodam muito as críticas porque eu não me sinto responsabilizado, embora eu tenha que reconhecer que a balança tendia a pender mais para o lado artístico. O presidente entendeu", afirmou Gil.
Comentários
Antes do encontro com Lula, ainda no Rio, o ministro adiantou que iria pedir sua exoneração do ministério. "Vai ser notícia quando tiver que ser", afirmou Gil. "Vou encontrar com o presidente para tratar da data da minha saída", disse.
Após ser informado sobre as palavras de Gil, em Brasília, o presidente sinalizou que aceitaria o pedido de Gil. "O Brasil não pode prescindir do Gil só na política", afirmou o presidente ao ser questionado se deixaria Gil sair do governo. "Ele [Gil] teve uma recaída, quer voltar a ser um grande artista", afirmou ele.
Ao longo do período que esteve no ministério, Gil já havia pedido demissão outras duas vezes. Nas ocasiões anteriores, o presidente apelou para que ele continuasse no governo.
Em evento no Rio, Gil anunciou sua saída e citou a música "Let it Be", dos Beatles, que fala da necessidade de ter esperança em momentos de dificuldades. "Deixo as coisas acontecerem. As coisas vêm e vão. Deixe estar. Let it be", cantarolou o ministro-artista.
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Agora é tarde.
Já foi muuuuito "politicamente incorreto".
Deveria sim ter se limitado à brilhante carreira musical.
Com sua omissão no ministério, a perda foi irreparável para a Cultura, de Janeiro de 2003 a Julho de 2008.
Não se lutou nem por prestígio da pasta nem por recursos.
E nós, contribuintes, eleitores e cidadãos brasileiros pagamos por cada minuto dessa omissão...
...
Teria sim sido bem mais adequado Gil se abster de fazer esse comentário.
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