Publicidade

Publicidade
Brasil
30/07/2008 - 19h23

Gil deixa governo para se dedicar à música e compara sua gestão com música "Refazenda"

Publicidade

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Ao pedir demissão nesta quarta-feira, o ministro Gilberto Gil (Cultura) alegou incompatibilidade em associar sua agenda política com a pessoal, familiar e artística. Sorridente, Gil disse que a música que melhor define seus cinco anos e meio no governo é "Refazenda".

Com elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro lamentou apenas não ter conseguido elevar o Orçamento de 1% destinado à cultura no país. "O governo do presidente Lula tem a capacidade de fazer o país compreender a transformação", disse Gil após reunião com Lula, no Palácio do Planalto.

30.jul.2007/Folha Imagem
Gilberto Gil deixa Ministério da Cultura e oferece música "Refazenda" para Lula
Gilberto Gil deixa Ministério da Cultura e oferece música "Refazenda" para Lula

Para comparar seu governo com uma música, Gil citou "Refazenda". "É a música 'Refazenda'. É Refazenda, que por acaso em algum momento se refere ao Planalto Central, às pragas planaltinas. O governo do presidente Lula é uma refazenda extraordinária", disse ele. "Amanhã será tomate, anoitecerá mamão", cantarolou Gil.

Em seguida, ele disse que cederia a música para Lula. "Eu cederia Refazenda como jingle [para o presidente Lula]", afirmou ele, dando uma gargalhada em seguida.

A entrevista coletiva de Gil foi acompanhada por sua mulher, Flora, que veio com ele do Rio. Bem-humorado, o ex-ministro brincou que esta era a terceira vez que pedia demissão do cargo e Lula insistia para ele continuar. "Desta vez eu disse ao presidente: 'estava 2 a 0 para o senhor, mas agora eu é que fiz o gol", disse ele.

Temporariamente no lugar de Gil ficará o atual secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira. Ferreira é ligado ao Partido Verde. Na ausência de Gil, ele é que o representava nas reuniões ministeriais.

Lula e Gil conversaram por cerca de uma hora e meia, no Palácio do Planalto. A mulher do ministro, Flora Gil, acompanhou parte da reunião. O ex-ministro disse que não se sentiu pressionado a deixar o governo nem incomodou-se com as críticas de que estaria dando mais atenção à vida artística do que a política.

"Não me incomodam muito as críticas porque eu não me sinto responsabilizado, embora eu tenha que reconhecer que a balança tendia a pender mais para o lado artístico. O presidente entendeu", afirmou Gil.

Comentários

Antes do encontro com Lula, ainda no Rio, o ministro adiantou que iria pedir sua exoneração do ministério. "Vai ser notícia quando tiver que ser", afirmou Gil. "Vou encontrar com o presidente para tratar da data da minha saída", disse.

Após ser informado sobre as palavras de Gil, em Brasília, o presidente sinalizou que aceitaria o pedido de Gil. "O Brasil não pode prescindir do Gil só na política", afirmou o presidente ao ser questionado se deixaria Gil sair do governo. "Ele [Gil] teve uma recaída, quer voltar a ser um grande artista", afirmou ele.

Ao longo do período que esteve no ministério, Gil já havia pedido demissão outras duas vezes. Nas ocasiões anteriores, o presidente apelou para que ele continuasse no governo.

Em evento no Rio, Gil anunciou sua saída e citou a música "Let it Be", dos Beatles, que fala da necessidade de ter esperança em momentos de dificuldades. "Deixo as coisas acontecerem. As coisas vêm e vão. Deixe estar. Let it be", cantarolou o ministro-artista.

Comentários dos leitores
Francisco José Donadel (68) 05/08/2008 13h36
Francisco José Donadel (68) 05/08/2008 13h36
Sr. Deslize, quando usei o termo "bobo da corte" não me referia ao presidente e sim ao trovador ministro da cultura. O fato de Lula não ter diploma deve-se à falta de esforço, pois não lhe faltaram tempo e oportunidade desde que se aposentou como metalúrgico. Isso não é motivo de orgulho para ninguém. O Vicentinho, por exemplo, conseguiu o seu. Na realidade, o diploma não fez falta ao ex-sindicalista, já que chegou à presidência da república. De bobo o Lula não tem nada. 8 opiniões
avalie fechar
Francisco José Donadel (68) 04/08/2008 19h50
Francisco José Donadel (68) 04/08/2008 19h50
Sr. João Marino Deslize está mal informado ao afirmar que Gilberto Gil não gosta de política, pois ele já foi político na Bahia. Pior ainda, se assim fosse, ter aceitado cargo de ministro. Quanto à "sabedoria" que imputa ao presidente, ficaria melhor o termo "esperteza". Espero que os motoristas e pedreiros citados pelo Sr. Deslize não estejam pensando em se candidatar à presidência. Não precisa desenhar nada porque a escrita já mostrou tudo. 8 opiniões
avalie fechar
Helena Manzione (274) 04/08/2008 18h59
Helena Manzione (274) 04/08/2008 18h59
"Fora do governo, Gilberto Gil diz que agora pode ser politicamente incorreto "
..........................................................................
Agora é tarde.
Já foi muuuuito "politicamente incorreto".
Deveria sim ter se limitado à brilhante carreira musical.
Com sua omissão no ministério, a perda foi irreparável para a Cultura, de Janeiro de 2003 a Julho de 2008.
Não se lutou nem por prestígio da pasta nem por recursos.
E nós, contribuintes, eleitores e cidadãos brasileiros pagamos por cada minuto dessa omissão...
...
Teria sim sido bem mais adequado Gil se abster de fazer esse comentário.
2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (37)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca