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Brasil
31/07/2008 - 15h45

OAB apela para que Lula mantenha texto integral de projeto sobre advogados

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Na tentativa de garantir a sanção do projeto de lei que torna invioláveis os escritórios de advocacia do país, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, fez um apelo nesta quinta-feira ao ministro Tarso Genro (Justiça) para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantenha integralmente o texto aprovado pelo Senado.

Depois de entidades representantes de magistrados e procuradores pedirem a Tarso o veto à matéria, Britto disse que os segmentos contrários ao projeto divulgam "mentiras deslavadas" sobre o projeto. As entidades sustentam que as mudanças permitem que advogados ocultem provas de crimes e ferem a Constituição Federal --que já prevê a inviolabilidade dos escritórios, mas permite sua abertura se houver decisão judicial nesse sentido.

"Nos causou estranheza que um grupo de magistrados e de membros do Ministério Público tenha divulgado a todos uma mentira deslavada: a de que os escritórios, a partir do projeto, passariam a ser depósitos para o crime, escondendo armas, provas e documentos ilegais dos clientes. Este não é e nunca foi o desejo do projeto e muito menos o da advocacia", reagiu Britto.

O presidente da OAB sustenta que o projeto permite a busca e apreensão em escritórios de advocacia, ao contrário do que argumentam procuradores e magistrados. Na defesa do projeto, Britto afirma que os órgãos acusadores não podem utilizar métodos que permitam conhecer estratégias de defesa dos advogados --o que ocorreria sem a inviolabilidade.

"Aqueles que acusam no Brasil querem criar uma milícia jurídica. O próprio Estado investiga, processa e julga, sem que o cidadão possa se defender. Democracia não combina com milícia, ainda que seja comandada pelo Poder Judiciário. Ela só existe se o amplo direito de defesa for assegurado."

Veto

Na segunda-feira, representantes de associações de juízes federais, procuradores da República e membros do Ministério Público fizeram apelo a Tarso para que o presidente Lula vete integralmente o projeto. Tarso disse, na ocasião, que o presidente vai analisar pelo menos três fatores antes de decidir se vetará a proposta.

O governo estuda se o projeto respeita a prerrogativa de inviolabilidade dos advogados, mas, ao mesmo tempo, analisa se a norma favorece a impunidade no país. Outro ponto em questão, segundo Tarso, é o "caráter educativo" da proposta: sua repercussão junto à sociedade brasileira.

Depois de ouvir apelos de entidades contrárias e favoráveis ao projeto, Tarso disse hoje esperar que na próxima quarta-feira o Ministério da Justiça tenha firmado sua posição sobre a matéria --que será encaminhada ao presidente Lula.

"Estamos estudando, não dá para dizer ainda. Até quarta-feira eu vou ter uma posição com a minha equipe. O ministério discute com outros setores do governo que têm envolvimento direto ou indireto com isso", afirmou.

O projeto, aprovado pelo Senado no início de julho, foi enviado para a sanção do presidente Lula na semana passada. O presidente tem até o dia 11 de agosto para decidir se vai sancionar ou vetar a matéria.

Projeto

O texto modifica o estatuto da advocacia brasileiro ao estabelecer que escritórios de advogados não podem mais ser alvo de busca e apreensão, mesmo que por ordem judicial.

A lei também veta a utilização dos documentos e objetos de clientes do advogado investigado, assim como outros instrumentos de trabalho que reúnam informações sobre os clientes. Se o presidente Lula não vetar o projeto, os escritórios de advocacia não poderão mais ser alvo de mandados de busca e apreensão em operações policiais --como freqüentemente ocorre em operações da Polícia Federal.

O texto prevê a quebra da inviolabilidade dos escritórios se houver indícios da prática de crime por parte do advogado. A Justiça, no entanto, deverá expedir mandado de busca e apreensão que deve ser cumprido na presença de um representante da OAB.

Comentários dos leitores
fabio siqueira ferreira (165) 10/11/2008 12h35
fabio siqueira ferreira (165) 10/11/2008 12h35
Blinda daqui que eles brindam de lá. É essa a lógica daqueles que estão agrupados em ALGUMAS associações. Cada vez mais o corporativismo dá o tom. São os advogados, os juízes, os promotores, os médicos, os políticos, etc. etc. Cada um defendendo o seu a qualquer custo. De preferência para os outros pagarem a conta.
Ninguém está preocupado em blindar o povo contra a miséria, as doenças, a falta de educação e a violência. Que se dane, que exploda, que se ferre o povo. Afinal, povo somente serve pra votar (muitas vezes mal), pra ser massa de manobra e, pra eles se relaxarem e gozarem.
Assim eles vão blindando e brindando.
sem opinião
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Nossos politico, não são patriota, e sim oportunista 17 opiniões
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alamar jose da silva (7) 26/08/2008 09h48
alamar jose da silva (7) 26/08/2008 09h48
esta lei de blindar escritorios de advogacia é mais uma bomba em cima do coitado do contribuinte brasileiros já que nós temos a classe politica blindada com toda sorte de falcatruas pois eles podem tudo basta dar uma olhada nos mensaleiros maluf e cia ltda e ver quem foi punido portanto isso é uma aberração total um desrespeito 9 opiniões
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