Brasil
31/07/2008 - 19h00

Planalto quer estimular debate sobre punição a torturadores da ditadura

Publicidade

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O governo federal não irá se envolver diretamente nas discussões sobre a eventual punição aos torturadores do período da ditadura. Depois de defenderem publicamente a punição, os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vanucchi (Secretaria Especial de Direitos Humanos) pretendem deixar que os debates sejam conduzidos pelos grupos organizados que apóiam a proposta. A Folha Online apurou que a idéia é estimular o debate e provocar reações no Judiciário.

Assessores da Comissão de Anistia informaram que até o momento não houve um processo sequer que tenha levado à punição de torturadores. Para Tarso e Vanucchi, os crimes cometidos por torturadores --como as agressões de vários tipos, violência sexual e até assassinatos-- devem ser tratados como crimes comuns. Como definição de período militar, para a análise de casos, a Comissão de Anistia considera de 1964 a 1985.

Mas essa disposição dos ministros causou choque entre setores das Forças Armadas. Para militares, a discussão sobre eventual punição coloca a instituição das Forças Armadas em xeque. Na tentativa de evitar o desconforto, Tarso e Vanucchi apelaram nesta quinta-feira para que os casos de tortura sejam tratados individualmente e não em grupo.

Controvérsias

Durante todo o dia, a Comissão de Anistia promoveu uma audiência pública para discutir as três posições existentes sobre o tema: a que sugere o tratamento dos crimes como sendo comuns; a que informa que a atual Constituição não faz menção ao assunto e, portanto, o tema deve ser debatido de forma política e jurídica; e a última que entende o fim das discussões porque a Lei de Anistia teria encerrado a a possibilidade de eventuais punições.

Para os interessados em buscar informações e que defendem a punição a orientação dos assessores do Ministério da Justiça é para que procurem o Ministério Público Federal. Outras alternativas são buscar o apoio dos grupos organizados que defendem a proposta de punição e contratar um advogado.

No meio jurídico os debates se estendem ainda à questão sobre a hipótese de que esses crimes ocorridos no período militar já teriam prescrito. Para a procuradora do Estado de São Paulo Eugênia Fávero essa alternativa não existe. "Esses crimes se encaixam em crimes contra a humanidade. São crimes de leso à humanidade e não prescrevem, como exemplo são os crimes relacionados com nazismo", disse.

Já o professor de Direito na FGV (Fundação Getúlio Vargas) Tiago Amaral tem uma visão completamente diferente da procuradora. "O Brasil tem duas hipóteses de prescrição: uma [que trata de crimes de] racismo e a outra [relacionada a] grupos armados contra o Estado", disse.

Universal

Tarso apelou para que se tenha uma "visão universal" sobre a necessidade de punir torturadores da época militar. "É uma análise que deve ser baseada em uma visão universal: que é do extravasamento do mandato dado pelo Estado e a responsabilização do agente que extravasa esse mandato e comete tortura", afirmou.

O ministro da Justiça afirmou que o debate é mais profundo do que parece pois envolve a democracia como um todo. "Essa é uma discussão de fundo, da democracia, é uma discussão de fundo sobre todos. É uma discussão sobre as instituições da república, portanto, uma discussão sobre o nosso futuro", disse.

Em defesa da distinção de indivíduos militares que praticaram torturas e as Forças Armadas, Vanucchi disse ser fundamental fugir das falsas idéias. "É fundamental evitar falácias, muitas vezes presentes, de que ao fazer a responsabilização [defender a punição de torturadores] judicial ou política dos criminosos estejam atacando as Forças Armadas. Estamos defendendo as Forças Armadas porque elas não pertencem ao general-chefe, mas a nós a cada cidadão e cidadã brasileira, que tem orgulho das Forças Armadas", disse.

Comentários dos leitores
claudia pessoa (38) 20/10/2009 06h53
claudia pessoa (38) 20/10/2009 06h53
ESSE É O CARA!!!!!
HAHAHAHAHAHA.....
sem opinião
avalie fechar
Alcides Emanuelli (1781) 20/10/2009 00h20
Alcides Emanuelli (1781) 20/10/2009 00h20
Esse procurador deve estar sofrendo de algum tipo de disturgio das mãos, se for tirar algo tipo um raio X do nosso Presidente vai aparecer as mãos do procurador gravadas no corpo de nosso Presidente.
Bem SR. Procurador o seu papel é julgar a corrupção e a aposentadia de quem já ganha muito em outras aposentadorias mais o dinheiro da Presidencia vitalicia do PT, não tem necessidade disso.
Vou lhe contar uma triste histórinha, minha mãe se aposentou com tres salarios minimos a mais ou menos 22 anos atras hoje ela ganha 695,00, veja bem Sr. Procurador, ela pagou para se aposentar e o dinheiro dela e de outros aposentados que estão precisando com mais de 80 anos é transferido para ganha um monte de aposentarias, são aposentarias e premios por todos os lados.
Dizem que o filho do Presidente comprou uma fazenda chamada de fortaleza por 50 milhões, eles ganhava 1.500,00 reais por mes e conseguiu com suas economias comprar essa fazenda.
Será que o Pai dele não ajudou com as economias das aposentadorias.
Com tudo isso sinto vergonha de ser brasileiro, ou se não tenho vergonha de ser brasileiro tenho nojo de ter pessoas desse tipo como o Sr. Procurar vivendo com o meu dinheiro.
É dificil aceitar isso tudo assim, ainda por cima temos a violência que o Sr. não faz nada e nosso Presidente assiste a tudo a 7 anos, deixando chegar aos limites da destruição social.
sem opinião
avalie fechar
Carlos José dos Santos (467) 19/10/2009 19h53
Carlos José dos Santos (467) 19/10/2009 19h53
"Procurador diz que aposentadoria de anistiado concedida a Lula é legal"
Claro que é. Ilegal e criminoso é o benefício dos aposentados que foi lesado pelo FHC e confirmado pelo novo Governo.
2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (809)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca