Assessor especial da Presidência nega relação entre governo brasileiro e as Farc
colaboração para a Folha Online
Mencionado em supostos e-mails encontrados no computador do ex-porta-voz internacional das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Raúl Reyes, o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta quinta-feira que o governo brasileiro tenha "qualquer relação" com as Farc.
"Não existe nenhuma relação entre o governo brasileiro e as Farc. Nunca houve", afirmou à Folha Online, por telefone, de Assunção, no Paraguai. Segundo Garcia, houve apenas uma iniciativa de Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete da Presidência da República, em levantar informações sobre as condições de saúde do padre Olivério Medina, refugiado no Brasil.
As declarações de Garcia são uma resposta às informações publicadas hoje pela revista colombiana "Cambio", que afirma que a presença das Farc no Brasil "chegou até as mais altas esferas" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), de líderes políticos brasileiros e do Poder Judiciário.
A conclusão foi tirada de supostos e-mails encontrados no computador de Reyes, morto por tropas colombianas em solo equatoriano em março deste ano. Segundo a revista, nos e.mails, são mencionados "cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial da Presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior" brasileiros.
"Essa matéria é obviamente uma provocação, porque ela faz uma leitura seletiva de supostos, e repito 'supostos', documentos que teriam sido encontrados no computador [de Raúl reyes]", disse Garcia.
No último dia 5, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem afirmando que as Farc haviam buscado diálogo com o governo brasileiro (a reportagem está disponível somente para assinantes do jornal e do Uol).
A "Cambio" disse que teve acesso aos 85 e-mails de Reyes entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008 enviados e respondidos pelo líder máximo das Farc, Manuel Marulanda ou Tirofijo, cujo nome verdadeiro era Pedro Antonio Marín e que morreu este ano.
Além de Garcia, "Cambio" cita o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, a deputada distrital Erika Kokay e o chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.
Também teriam sido mencionados nesses e-mails o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o assessor presidencial Selvino Heck.
Ainda segundo a "Cambio", há mensagens de Reyes para o chefe militar das Farc, Mono Jojoy --cujo nome verdadeiro é Jorge Briceño--, e para Francisco Antonio Cadena Collazos --conhecido como padre Olivério Medina e "Cura Camilo" e que atua como delegado das Farc no Brasil-- e de todos eles com dois homens identificados como Hermes e José Luis.
Cura Camilo, preso em São Paulo em agosto de 2005, vivia no Brasil há oito anos e foi beneficiado com uma proteção especial por ser casado com uma brasileira.
Esquerda
Hoje, o PT realizou em São Paulo um ato em apoio ao presidente boliviano Evo Morales e seu governo. Participaram do evento o secretário de Relações Internacionais do PT Valter Pomar, o parlamentar boliviano Osvaldo Peredo, eleito pelo MAS (partido de Morales), e os senadores uruguaios José Alberto Mujica e Lucía Topolanski, ambos da Frente Amplio.
O secretário petista também negou a suposta infiltração das Farc no governo brasileiro e no Partido dos Trabalhadores. "O e.mail supostamente cita o nome destas pessoas, o que é muito pouco para falar em 'infiltração'", disse Pomar.
O assessor especial da Presidência da República "sugeriu" ainda que a imprensa brasileira investigue a origem das informações citadas pela "Cambio", para identificar a quem interessaria esta "provocação".
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