Brasil
01/08/2008 - 09h19

Procuradora defende candidatos de favela do Rio

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SERGIO TORRES
da Folha de S.Paulo, no Rio

A procuradora da República Silvana Batini, que integra o Ministério Público Eleitoral do Rio, afirmou à Folha considerar legítimo e democrático que uma comunidade carente apóie um candidato nas eleições municipais deste ano.

Por causa da suspeita de que o tráfico de drogas e as milícias venham impondo candidatos ao eleitorado das favelas que controlam, o governo federal estuda reforçar a segurança da campanha no Rio com tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública.

"Não é nada ilegítimo que a comunidade tenha um candidato preferido. O que é ilegítimo é a coação, impedir a campanha de outro, impedir a liberdade. Mas, se a comunidade fechar a questão, "vamos apoiar fulano de tal", é do jogo democrático. Garantida a liberdade do eleitor, tudo bem", disse.

Procuradora encarregada, pelo Ministério Público Federal, de ações importantes ligadas ao sistema financeiro, como grampos no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e a acusação de gestão fraudulenta do extinto Banco Nacional, Batini é procuradora regional eleitoral substituta do TRE-RJ.

Para ela, existe aproveitamento político das denúncias de que, no Rio, há restrições à circulação de candidatos em áreas pobres. "Na questão eleitoral, tem que tomar um cuidado redobrado para que aquilo não se torne parte do jogo da disputa política. Claro que tem gente que está faturando em cima disso."

Em relação ao uso das tropas federais na campanha e na eleição, Batini também vê um cenário de motivação política. "Acho que é uma precipitação. A gente sabe que a situação da segurança pública no Rio é muito grave, mas acho que as instituições fluminenses têm condição de dar conta do recado", disse. "O problema do curral eleitoral no Rio de Janeiro existe? Existe. Hoje você tem um curral diferenciado de milícia e do narcotráfico. Curral do narcotráfico é uma novidade. Isso tem que ser apurado. Agora, justifica uma intervenção nesse momento? Acho que não. (...) A estrutura do Estado tem que dar conta."

Preocupação

O presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Roberto Wider, disse ontem que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, "está preocupado" com a campanha no Rio e quer que o eleitor tenha "garantias de regularidade" no processo eleitoral.

"Segurança não é problema da Justiça Eleitoral. O Estado tem que garantir que os cidadãos possam ir e vir, entrar nos lugares, onde for", disse Wider.

Candidato a vereador, Luiz Cláudio de Oliveira (PSDC), o Claudinho da Academia, entregou ontem ao TRE-RJ certidões da Justiça e da Secretaria de Segurança mostrando que ele foi confundido com homônimos, ao ser acusado de ter 22 anotações criminais.

Claudinho seria o candidato preferido de seu reduto, a favela da Rocinha (zona sul), segundo suspeita da polícia. Chorando, disse ser honesto e que foi condenado sem julgamento. Agora, quer desistir da candidatura, para preservar a família. "Fui chamado de bandido, estuprador. Não agüento mais", afirmou.

Ontem, o TRE anunciou o veto a quatro candidatos que apresentam registros criminais em suas fichas.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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