Protógenes critica falta de independência da polícia
da Folha Online
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha e foi responsável pela prisão de pessoas que movimentaram R$ 1,854 bilhão em operações financeiras suspeitas realizadas por pessoas físicas e jurídicas, disse acreditar que as organizações criminosas têm estrutura para entrar no aparelho estatal.
Em entrevista ao jornalista Rubens Valente, publicada na edição deste domingo da Folha (a íntegra da reportagem está disponível para assinantes do UOL e do jornal), Queiroz afirma ainda que logo após as prisões de um banqueiro e de um investidor, delegados ficaram fragilizados.
O delegado está em Brasília, onde participa de um curso de reciclagem promovido pela Academia da Polícia Federal. O acesso à academia é restrito aos policiais federais.
Oficialmente, a PF afirma que Queiroz deixou o comando da Operação Satiagraha, que levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas, para participar do curso. Em conversas com interlocutores, o delegado revelou que foi forçado a deixar as investigações depois de "excessos" cometidos na operação.
O delegado da Polícia Federal também encaminhou documento ao Ministério Público de São Paulo para denunciar a obstrução da própria PF ao seu trabalho. Na representação, o delegado reclama que foi prejudicado pela falta de recursos humanos e materiais para a condução das investigações.
Minoria
Queiroz afirma em entrevista enxergar com "naturalidade" o projeto de blindagem dos escritórios de advocacia mas alerta para o fato de que "não se pode proteger o exercício da advocacia criminosa".
O delegado da Polícia Federal opinca ainda que são poucas as pessoas que têm sua demanda atendida prontamente quando recorrem à Justiça. "Hoje a segurança jurídica está disponibilizada para uma minoria privilegiada no país", afirma.
Pop star
Além de ter recebido um blog como forma de "presente" do advogado Fernando Alfonso Garcia, seu cunhado, Queiroz, carioca de 49 anos que há cinco mora em Brasília (DF), recebe oferta de editoras para escrever livro e por vezes têm mensagens deixadas na secretária eletrônica de seu celular por promotores, delegados e policiais.
Até um desenho de um menino de Londrina (PR) com a mensagem "Por favor, não desista" e abordagens nas ruas se tornaram rotina após a operação que comandou e que hoje está afastado.
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