Brasil
04/08/2008 - 15h21

Grupo de Dantas possui maior número de autorização para pesquisar ouro em MT

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BRENO COSTA
da Agência Folha

Um ano e um mês depois de criar um braço na área de mineração, o grupo de Daniel Dantas já é o dono do maior número de alvarás (64) para pesquisa de ouro na história de Mato Grosso, segundo dados do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

Levantamento feito pela Folha mostra que a GME4 do Brasil Participações e Empreendimentos S.A. já possui direitos minerários sobre uma área de 5.471 km¦, equivalente a quase quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Outras 99 empresas e 127 pessoas físicas possuem alvarás de pesquisa de ouro em MT, terceiro maior produtor do metal no Brasil, diz o DNPM.

No relatório da Operação Satiagraha, a Polícia Federal afirma que as atividades de mineração do grupo Opportunity apresentam "indícios de lavagem de capitais". A Superintendência da PF em Cuiabá afirma que não há investigações em curso contra a GME4.

A GME4 foi criada em São Paulo, em junho de 2007. As primeiras requisições de pesquisa começaram a ser apresentadas ao DNPM no mesmo mês. Todas elas para pesquisa de ouro, em áreas localizadas em nove municípios de Mato Grosso.

Hoje, em todo o país, a empresa já possui autorização do DNPM para pesquisar minérios em dez Estados, abrangendo uma área maior que Sergipe. Pela lei, a empresa pode vender o direito de pesquisa ou de exploração para terceiros.

Em sua apresentação institucional, a GME4 define como foco a identificação de reservas de minerais e "a oferta desses ativos nos mercados nacional e global". Na mesma apresentação, a empresa define como seu objetivo ser "o principal banco de oportunidades minerais da América Latina em 2010".

Consultores ouvidos pela Folha disseram que a aquisição de tantas áreas de pesquisa em tão pouco tempo não é prática inédita, mas é "incomum". Segundo eles, pode ser indício de especulação minerária, que se daria através da revenda dos direitos minerários.

"Não me recordo de um caso semelhante, com tantos pedidos, e especialmente pela velocidade da aprovação deles", afirmou o procurador da República Marco Mazzoni, que atua em processos sobre mineração na principal região mineradora do país, o sudeste do Pará.

De acordo com o diretor de fiscalização do DNPM, Peterson Guedes, os períodos observados no caso da GME4 estão dentro da normalidade.

Outro lado

Procurada para comentar a liderança na pesquisa de ouro em Mato Grosso e seus objetivos e perspectivas com a exploração do minério, a GME4, por meio de nota, disse que "desde a sua constituição, a GME4 tem como objetivo realizar pesquisa mineral em áreas de ouro, níquel, bauxita, manganês, fosfato e outras commodities minerais, buscando a valoração dos potenciais minerais do território brasileiro, nas áreas que lhe são outorgadas, e contribuindo para a ampliação do conhecimento geológico sobre as reservas minerais do país e dos investimentos no setor".

Colaborou JOÃO CARLOS MAGALHÃES, da Agência Folha, em Belém

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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